:: JORNAL ASSINAP - SETEMBRO E OUTUBRO / 08 - pág. 04
 
Servidor ganha as ruas em passeata histórica

Mais de três mil servidores de diversos setores se fizeram presentes no ato que reivindicou melhorias para o serviço público estadual, no dia 13 de agosto. A manifestação foi organizada pelo Movimento Unificado do Servidor Público (MUSP), que congrega mais de 30 entidades representativas do funcionalismo.

Os participantes se concentraram no Largo do Machado e depois seguiram em caminhada até o Palácio Guanabara.
A manifestação foi a forma que os servidores encontraram para reagir à politica de privatização do governador Sérgio Cabral (PMDB) e ao aumento irrisório de 8% oferecido à categoria, e ainda excluindo a Saúde.

No setor de segurança, o governador preferiu reajustar apenas os vencimentos de quem está no topo da pirâmide, os comandantes de unidades da Polícia Militar. Cabral concedeu um aumento de mais de 200% para estes, em detrimento de milhares de praças da ativa e inativos que nada receberam e que formam a fatia mais empobrecida da PM e do Corpo de Bombeiros.

Segundo Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP, a atitude do governador beira a indecência.

“Foi uma triste escolha. Ele preferiu prestigiar quem já é privilegiado. Claro que o governador também agiu em causa própria. Assim, os comandantes irão obedecer suas ordens docemente, segurando a tropa e negando direitos, e tudo assegurado pelo Regulamento Disciplinar. Triste vida é a do praça, é só massacre e revolta”, lamenta Cordeiro.

Governo manda PM impedir passagem

Quando os manifestantes chegaram debaixo do viaduto que dá acesso a Rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara, uma viatura da PM bloqueou a passagem do carro da manifestação, impedindo o prosseguimento do ato.

Uma comissão formada pelos deputados Paulo Ramos (PDT) e Marcelo Freixo (PSOL) foi pedir pela liberação da passagem ao chefe da Casa Militar de Palácio, coronel Messias. Depois de cerca de 40 minutos, a passeata foi liberada e os policiais foram autorizados a retirar a viatura do caminho.

Os manifestantes seguiram até o Palácio com o objetivo de ter uma audiência com o governador, ou marcar uma agenda.
No entanto, o governo negou-se a receber a comissão do MUSP e disse que só conversaria com os setores em separado, o que não foi aceito pelo Movimento Unificado. O ato se estendeu até às 16h em frente ao Palácio.

Serviços e servidores públicos abandonados

Funcionários da Cedae, que já estavam em greve desde o dia anterior, compareceram em peso ao movimento. Segundo Valdemir Luiz, da diretoria do Sindicato de Empregados do Saneamento, “um dos objetivos do governador é reduzir o pessoal da empresa para facilitar a privatização”.

O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, denunciou a situação de calamidade da Saúde. “O governador tem que mostrar soluções para a Saúde e não ficar xingando os médicos. Hoje, temos a prova que o movimento está coeso, pois apenas a Saúde não foi contemplada com esse reajuste ridículo de 8%, e mesmo assim, todos os setores estão presentes para mostrar sua insatisfação em relação a este governo”, avaliou Darze.

A Associação dos Peritos Criminais e Legistas denunciou que o IML está destruído e que as perícias também não são realizadas. “Não como fazer perícia sem investimento em ciência e tecnologia. Enquanto isso, inúmeros crimes continuam impunes”, diz Erlon Reis.

Dossiê com denúncias

O MUSP montou um dossiê com denúncias e provas de irregularidades em vários setores. O documento foi entregue no dia 20 de agosto ao Ministério Público e à Alerj para que fosse investigado.