Mais de três mil servidores de diversos setores se fizeram
presentes no ato que reivindicou melhorias para o serviço público
estadual, no dia 13 de agosto. A manifestação foi organizada
pelo Movimento Unificado do Servidor Público (MUSP), que congrega
mais de 30 entidades representativas do funcionalismo.
Os participantes se concentraram no Largo do Machado e depois seguiram
em caminhada até o Palácio Guanabara.
A manifestação foi a forma que os servidores encontraram
para reagir à politica de privatização do governador
Sérgio Cabral (PMDB) e ao aumento irrisório de 8% oferecido
à categoria, e ainda excluindo a Saúde.
No setor de segurança, o governador preferiu reajustar apenas
os vencimentos de quem está no topo da pirâmide, os comandantes
de unidades da Polícia Militar. Cabral concedeu um aumento
de mais de 200% para estes, em detrimento de milhares de praças
da ativa e inativos que nada receberam e que formam a fatia mais empobrecida
da PM e do Corpo de Bombeiros.
Segundo Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP, a atitude do governador
beira a indecência.
“Foi uma triste escolha. Ele preferiu prestigiar quem já
é privilegiado. Claro que o governador também agiu em
causa própria. Assim, os comandantes irão obedecer suas
ordens docemente, segurando a tropa e negando direitos, e tudo assegurado
pelo Regulamento Disciplinar. Triste vida é a do praça,
é só massacre e revolta”, lamenta Cordeiro.
Governo manda PM impedir passagem
Quando os manifestantes chegaram debaixo do viaduto que dá
acesso a Rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara,
uma viatura da PM bloqueou a passagem do carro da manifestação,
impedindo o prosseguimento do ato.
Uma comissão formada pelos deputados Paulo Ramos (PDT) e Marcelo
Freixo (PSOL) foi pedir pela liberação da passagem ao
chefe da Casa Militar de Palácio, coronel Messias. Depois de
cerca de 40 minutos, a passeata foi liberada e os policiais foram
autorizados a retirar a viatura do caminho.
Os manifestantes seguiram até o Palácio com o objetivo
de ter uma audiência com o governador, ou marcar uma agenda.
No entanto, o governo negou-se a receber a comissão do MUSP
e disse que só conversaria com os setores em separado, o que
não foi aceito pelo Movimento Unificado. O ato se estendeu
até às 16h em frente ao Palácio.
Serviços e servidores públicos abandonados
Funcionários da Cedae, que já estavam em greve desde
o dia anterior, compareceram em peso ao movimento. Segundo Valdemir
Luiz, da diretoria do Sindicato de Empregados do Saneamento, “um
dos objetivos do governador é reduzir o pessoal da empresa
para facilitar a privatização”.
O presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, denunciou
a situação de calamidade da Saúde. “O governador
tem que mostrar soluções para a Saúde e não
ficar xingando os médicos. Hoje, temos a prova que o movimento
está coeso, pois apenas a Saúde não foi contemplada
com esse reajuste ridículo de 8%, e mesmo assim, todos os setores
estão presentes para mostrar sua insatisfação
em relação a este governo”, avaliou Darze.
A Associação dos Peritos Criminais e Legistas denunciou
que o IML está destruído e que as perícias também
não são realizadas. “Não como fazer perícia
sem investimento em ciência e tecnologia. Enquanto isso, inúmeros
crimes continuam impunes”, diz Erlon Reis.
Dossiê com denúncias
O MUSP montou um dossiê com denúncias e provas de irregularidades
em vários setores. O documento foi entregue no dia 20 de agosto
ao Ministério Público e à Alerj para que fosse
investigado.