:: JORNAL ASSINAP - SETEMBRO E OUTUBRO / 08 - pág. 02
 
EDITORIAL
A PM está a serviço de quem?
De acordo com matéria publicada pelo jornal O Dia, em 4 de setembro, a Polícia Militar não vai subir em comunidades durante o período eleitoral. Também ficou proibida a utilização de efetivo de apoio próximos a áreas de risco. Na mesma matéria, ainda foi dito que a Corporação, através do Chefe do Estado-Maior, havia ordenado que as apreensões de caça-níqueis fossem avisadas com pelo menos 24 horas de antecedência ao Centro de Materiais e Munição.

Não é, no mínimo, estranhas tais atitudes?

Para que e para quem serve uma polícia como essa? Uma polícia que prefere vendar seus olhos a combater a propaganda política irregular em comunidades carentes. Com medidas como essa, a polícia se desmoraliza, fica fragilizada. O que vemos é uma polícia omissa e condescendente, que suspende operações de busca e captura em áreas consideradas hostis, justamente no período eleitoral, quando os ânimos estão mais exaltados em função do pleito.

É uma nova forma de combate ao crime? Um finge que não vê, o outro finge que não faz. A PM está incorrendo, em tese, em crime eleitoral.

A exigência de aviso de pelo menos 24 horas quando o objetivo é apreender caça-níqueis também nos faz questionar que trabalho de inteligência é esse.

Será que vivemos no mundo das maravilhas onde o vazamento de informações em benefício de criminosos não acontece?

O aviso da ação com tamanha antecedência pode jogar por terra todo esforço e planejamento de operações deste porte, como também inviabiliza o efeito surpresa das apreensões espontâneas.

Fato parecido já aconteceu quando o Comando da PM durante o governo Rosinha Garotinho exigiu que as blitzes fossem avisadas com 72 horas de antecedência ! Uma ordem que anularia de vez o efeito mais característico desse tipo de ação, a surpresa.

Mas voltando aos caça-níqueis, 24 horas é tempo de sobra para que a bandidagem receba a informação e atue rápido retirando seus equipamentos da cena do crime. Será que alguém está recebendo alguma benesse?

Se na PM a burocracia permeia todos os procedimentos, no mundo do crime o que manda é a urgência em resolver. Isso reflete na eficiência de cada um. Não precisa refletir muito para saber quem está sendo mais competente no alcance de seus objetivos.

Miguel Cordeiro
Presidente da ASSINAP
 
A negociação de seus currais
Ao ver a notícia no Jornal EXTRA de 8 de agosto de 2008, com destaque em primeira página, eu, e a maioria dos Policiais Militares deste Estado nos sentimos como massa de currais. Somos objeto de negociações políticas para obtenção de vantagens pessoais, com estreita referência às matérias de negociação e venda de comunidades e seus votos. As funções de Comando, Chefia e Direção, contempladas com reajuste em sua gratificações, são inerentes ao Posto de Coronel, não cabendo, portanto, recepção de nenhuma gratificação, quanto mais reajuste da existente, nesta proporção. Ainda mais ocorrido com tramitação de processo Administrativo, feito na surdina, como exposto na matéria. Pelo menos o ocorrido foi público, deixando expostos à opinião pública, a posição destes “Comandantes” e Governantes (Governador), que não medem conseqüências para alcançarem suas pretensões.

A matéria deixou evidente que a troca de Comando na PMERJ se deu exclusivamente pela posição do Cel. Ubiratan em apoiar a valorização do policial, ou seja, o Comando foi vendido a quem se propusesse a reprimir manifestações em troca de favorecimentos financeiros. A PEC 24, que beneficia todo o efetivo da PMERJ, está parada na ALERJ, como era de se esperar, pois os Srs Deputados encontram-se engajados nas eleições municipais, não dando a devida importância aos acontecimentos, que certamente são relativos à Segurança Pública, podendo refletir sérias conseqüências por insatisfação na tropa. Esta gratificação em muito faz lembrar a ocorrida no Governo de Moreira Franco, governo este que também não concedeu reajuste salarial, exceto aos Coronéis Comandantes, que hoje é objeto de ação Judicial por parte da ASSINAP para que seja reconhecida como aumento salarial disfarçado para uma minoria e estendida a todo o efetivo.

Finalizando, me sinto realmente como elemento de manobra, de objeto de negociação, vendo a maioria do efetivo, vivendo, digo, sobrevivendo com salário de R$ 900,00 para prover seu sustento e o de sua família, ficando exposto a ofertas ilícitas que aparecem no dia a dia de sua profissão. Mas não estão seus Comandantes preocupados com esta situação, pois tem o RDPM ao seu dispor para eliminar estes inconseqüentes, alienados ou débeis mentais dos quadros da PM. Cadê os Deputados que tanto defendem a PMERJ e a melhoria de salário?

Ricardo Vilete Chudo é policial militar e associado da ASSINAP