| De acordo com matéria
publicada pelo jornal O Dia, em 4 de setembro, a Polícia Militar
não vai subir em comunidades durante o período eleitoral.
Também ficou proibida a utilização de efetivo de
apoio próximos a áreas de risco. Na mesma matéria,
ainda foi dito que a Corporação, através do Chefe
do Estado-Maior, havia ordenado que as apreensões de caça-níqueis
fossem avisadas com pelo menos 24 horas de antecedência ao Centro
de Materiais e Munição.
Não é, no mínimo, estranhas tais atitudes?
Para que e para quem serve uma polícia como essa? Uma polícia
que prefere vendar seus olhos a combater a propaganda política
irregular em comunidades carentes. Com medidas como essa, a polícia
se desmoraliza, fica fragilizada. O que vemos é uma polícia
omissa e condescendente, que suspende operações de busca
e captura em áreas consideradas hostis, justamente no período
eleitoral, quando os ânimos estão mais exaltados em função
do pleito.
É uma nova forma de combate ao crime? Um finge que não
vê, o outro finge que não faz. A PM está incorrendo,
em tese, em crime eleitoral.
A exigência de aviso de pelo menos 24 horas quando o objetivo
é apreender caça-níqueis também nos faz
questionar que trabalho de inteligência é esse.
Será que vivemos no mundo das maravilhas onde o vazamento de
informações em benefício de criminosos não
acontece?
O aviso da ação com tamanha antecedência pode jogar
por terra todo esforço e planejamento de operações
deste porte, como também inviabiliza o efeito surpresa das apreensões
espontâneas.
Fato parecido já aconteceu quando o Comando da PM durante o governo
Rosinha Garotinho exigiu que as blitzes fossem avisadas com 72 horas
de antecedência ! Uma ordem que anularia de vez o efeito mais
característico desse tipo de ação, a surpresa.
Mas voltando aos caça-níqueis, 24 horas é tempo
de sobra para que a bandidagem receba a informação e atue
rápido retirando seus equipamentos da cena do crime. Será
que alguém está recebendo alguma benesse?
Se na PM a burocracia permeia todos os procedimentos, no mundo do crime
o que manda é a urgência em resolver. Isso reflete na eficiência
de cada um. Não precisa refletir muito para saber quem está
sendo mais competente no alcance de seus objetivos.
Miguel Cordeiro
Presidente da ASSINAP |
| Ao ver a notícia
no Jornal EXTRA de 8 de agosto de 2008, com destaque em primeira página,
eu, e a maioria dos Policiais Militares deste Estado nos sentimos como
massa de currais. Somos objeto de negociações políticas
para obtenção de vantagens pessoais, com estreita referência
às matérias de negociação e venda de comunidades
e seus votos. As funções de Comando, Chefia e Direção,
contempladas com reajuste em sua gratificações, são
inerentes ao Posto de Coronel, não cabendo, portanto, recepção
de nenhuma gratificação, quanto mais reajuste da existente,
nesta proporção. Ainda mais ocorrido com tramitação
de processo Administrativo, feito na surdina, como exposto na matéria.
Pelo menos o ocorrido foi público, deixando expostos à
opinião pública, a posição destes “Comandantes”
e Governantes (Governador), que não medem conseqüências
para alcançarem suas pretensões.
A matéria deixou evidente que a troca de Comando na PMERJ se
deu exclusivamente pela posição do Cel. Ubiratan em apoiar
a valorização do policial, ou seja, o Comando foi vendido
a quem se propusesse a reprimir manifestações em troca
de favorecimentos financeiros. A PEC 24, que beneficia todo o efetivo
da PMERJ, está parada na ALERJ, como era de se esperar, pois
os Srs Deputados encontram-se engajados nas eleições municipais,
não dando a devida importância aos acontecimentos, que
certamente são relativos à Segurança Pública,
podendo refletir sérias conseqüências por insatisfação
na tropa. Esta gratificação em muito faz lembrar a ocorrida
no Governo de Moreira Franco, governo este que também não
concedeu reajuste salarial, exceto aos Coronéis Comandantes,
que hoje é objeto de ação Judicial por parte da
ASSINAP para que seja reconhecida como aumento salarial disfarçado
para uma minoria e estendida a todo o efetivo.
Finalizando, me sinto realmente como elemento de manobra, de objeto
de negociação, vendo a maioria do efetivo, vivendo, digo,
sobrevivendo com salário de R$ 900,00 para prover seu sustento
e o de sua família, ficando exposto a ofertas ilícitas
que aparecem no dia a dia de sua profissão. Mas não estão
seus Comandantes preocupados com esta situação, pois tem
o RDPM ao seu dispor para eliminar estes inconseqüentes, alienados
ou débeis mentais dos quadros da PM. Cadê os Deputados
que tanto defendem a PMERJ e a melhoria de salário?
Ricardo Vilete Chudo é policial militar e associado da ASSINAP |