| Um estudo sobre o preparo
policial em 15 países, coordenado pelo sociólogo José
Vicente Tavares dos Santos, mostra que as polícias brasileiras
estão muito aquém da formação ideal. Influenciada
por práticas do período ditatorial do país, as
corporações policiais militares brasileiras são
dominadas pelos fundamentos de “Ordem Unida”, numa total
deformação de sua atividade primordial, que é defender
a sociedade com o uso mínimo de violência. Mas o que vemos?
Policiais cada vez mais truculentos, mal treinados, sem acompanhamento
psicológico, e distantes de conquistar a confiança da
população.
A Polícia Militar gaba-se de seu bicentenário, como se
isso fosse o bastante para sua legitimação. Enquanto inúmeras
instituições se fortalecem por aceitar novas idéias,
acompanhando a realidade do seu tempo, a Polícia Militar teima
em não querer se modernizar, como se seus fundamentos fossem
projeções canônicas. O currículo da Corporação
é totalmente ultrapassado, com um militarismo excessivo já
não mais adequado a policiais que fiscalizam as ruas. Até
mesmo dentro dos quartéis, quantas humilhações
os policiais já passaram e passam em nome da disciplina e hierarquia...?
O estudo é feliz ainda ao criticar a existência de duas
instituições policiais, uma civil e a outra militar, entendo-as
como duas “meias” polícias, que não se complementam.
Cada uma com funções diferentes e impossibilitadas de
realizar um trabalho completo. Uma verdadeira aberração.
A Militar faz o trabalho de policiamento ostensivo e preventivo, sendo
vedada a permissão para investigar e emitir termos circunstanciados.
É responsabilidade da Polícia Civil investigar, emitir
boletins de ocorrência e elaborar inquéritos.
O trabalho do policial militar, dessa maneira, fica reduzido à
mera condução de presos e suspeitos. Muito pouco para
uma corporação tão grande e dispendiosa. Já
a Civil não atende a contento seu dever de investigar. Basta
dar uma olhada nos índices de elucidação de crimes,
que não chega à míseros 15% em todo Brasil. No
Rio, é próximo de zero. A sociedade quer resultados.
Todos nós queremos ter uma polícia atuante, forte, consciente,
respeitada, honesta e bem remunerada. Uma polícia que se comporte
como uma empresa privada, com metas a cumprir, e que divulgue o balanço
real de suas ações para a sociedade. A cultura do segredo
e da falta de transparência tem que acabar.
A ASSINAP defende a criação de uma Polícia Completa,
por mais trabalhoso que venha a ser mudar toda legislação.
Não podemos mais apoiar indefinidamente a existência de
duas polícias capengas. O modelo, por si só, já
mostrou que não funciona. Em vez de ter gerado integração
entre as entidades, acabou gerando animosidades, e um jogo de empurra-empurra,
que muito pouco trouxe de positivo para a sociedade. Pois as polícias
não disputam para conseguir os melhores resultados entre si,
mas apontam o dedo para aquela que deixou de fazer sua parte. No final
das contas, as duas polícias são omissas e não
atendem ao verdadeiro sentido de trabalhar pela Segurança Pública.
E a vaidade de seus comandos fala mais alto eprefere deixar tudo como
está.
Apostamos num amplo programa para reformução do aparato
policial brasileiro, dando também mais autoridade e poder às
Guardas Municipais, para apurar crimes de menor potencialidade, encaminhando
esses casos aos Juizados Especiais Comuns Estaduais.
As polícias Militar e Civil ficariam com a incumbência
de preservar a ordem pública, concentrando seus esforços
na prevenção e investigação de crimes graves.
As duas forças trabalhariam conjuntamente, até que fosse
criada uma única polícia, apta para executar o policiamento
ostensivo e preventivo, prisões, elaboração de
inquérito e investigação.
Miguel Cordeiro
Presidente da ASSINAP |
|
O policial militar Paulo Roberto
Gomes, de 44 anos, portador do vírus HIV, vivia como um mendigo
pelas ruas de São Gonçalo. Mesmo em tratamento há
mais de três anos, o PM ainda estava na ativa.
Ao tomar conhecimento do caso, em junho deste ano, a ASSINAP entrou
com uma ação requerendo que o policial fosse reformado.
O advogado Domingos Sávio, do Corpo Jurídico da Associação,
passou a orientar o PM e a mulher dele. Além da doença
irreversível, o PM também sofre de alcoolismo, complicações
cardíacas e apresenta quadro de alienação mental.
A ASSINAP também divulgou o caso na imprensa, para dar mais celeridade
ao processo e mostrar o tratamento tortuoso da Instituição
para com seus profissionais.
Depois de uma espera de mais de dois anos com licenças sendo
renovadas, a última inspeção da Junta Médica
acabou por considerar Paulo Roberto incapaz definitivamente para o serviço
policial militar, como consta na pág. 77 do BOL 114, de 30 de
junho de 2009.
- Estamos felizes em ter ajudado o policial, mas não entendemos
porque a PM demorou tanto para ver que ele deveria ser reformado o quanto
antes. Será por maldade, descaso, preconceito? A PM tem que se
humanizar, evoluir. De toda forma, a Justiça foi feita para esse
rapaz. Considero como uma vitória não só da ASSINAP,
mas da categoria, comenta o presidente da Associação,
Miguel Cordeiro. |
|
Alô, comando do
Bombeiro. Tem gente reclamando das escalas, argumentando que há
uma desigualdade entre a carga de trabalho dos combatentes e dos profissinais
de saúde. Segundo a tropa, os enfermeiros cumprem escala de 24x48.
Já os oficiais médicos desfrutam de 24 horas semanais,
equivalente a 96 horas mensais, e a cada 12 horas extras trabalhadas
ganham agora 4.000 reais, em vez de 2.100 reais como antes. Os bombeiros
dizem que foram aumentados na surdina.
Já os oficiais combatentes do mesmo posto, que estão insatisfeitos
com isso reclamam da diferença salarial e da carga horária
diferente. Para se ter uma idéia, tem médico com menos
de um ano na corporação ganhando mais que coronéis
com 30 anos de serviço. Eita!
A situação tem que ser revista. A Legislação
estadual estabelece diferença de horário e aumento salarial
para TODOS os agentes de saúde, incluindo médicos e enfermeiros. |