:: JORNAL ASSINAP - setembro / 07 - pág. 06
 
Na ronda
Pela tolerância, contra o preconceito

O governo do Estado concedeu dia 28 de agosto os primeiros quatro benefícios de pensão para parceiros e parceiras de servidores públicos homossexuais, com base na Lei 5034/07, sancionada pelo governador Sérgio Cabral no dia 31 de maio.

Mais do que o reconhecimento e a garantia de direitos civis, a lei significa a sinalização para a sociedade da quebra de preconceitos.

A ASSINAP também segue a trilha contra o preconceito e antes mesmo da iniciativa do governo, a entidade já vem aceitando registro de companheiro de policiais como dependentes.

O companheiro tem direito a todos os benefícios concedidos ao titular, como planos de saúde e assistência jurídica.

“O preconceito sexual no meio militar é muito forte, mas uma Associação existe para defender seus associados e não há porque discriminar”, justifica Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP.

Lamentamos apenas que o IPERJ não obedeça a mentalidade do governador nem a legislação do estado, pois nega-se a receber qualquer habilitação ou justificação judicial, inclusive para pessoas do sexo oposto. Seu Sérgio Cabral, tem gente que não segue a mesma rota de sua nau...

Vaias e Lula

Aonde Lula vai, a vaia vai atrás. Isso o está deixando com os nervos a flor da pele. Quem diria que logo um autodenominado representante do povo não suporte ser pressionado pela população? Cadê o espírito democrático? Cadê o PAC da segurança, presidente?

Disque-segurança

Policiais militares e civis, agentes penitenciários e de disciplina, bombeiros e guardas municipais que se sentirem injustiçados dentro de seu ambiente de trabalho podem ligar para o número 0800-282-3135.
O número funciona no gabinete do deputado Wagner Montes, na Alerj.

“The economist”: corrupção ajudou aumento da violência

A renomada revista britânica “The economist” afirmou em edição publicada dia 2 de agosto, que anos de prostração, ineficiência e corrupção dos governos anteriores explicam a situação de violência que aflige a cidade. Segundo a revista todos os governadores prometeram acabar com a violência, mas só viram os números subir.

Diz ainda que Sérgio Cabral parece estar disposto a enfrentar o problema, mas encontra dificuldades.

Leis trabalhistas também foram criticadas ao afirmar que o código trabalhista é muito permissivo e dificulta a demissão de servidores públicos corruptos.

Policiais do MOVE trabalham imóveis


Policiais do MOVE (Módulo Operacional de Vias Especiais) continuam penando nas mãos de gente incompetente. Ao contrário do que o nome sugere, esses homens não podem se movimentar durante o serviço, sob risco de punição. Por conta de ordens descabidas, eles atuam como meio-policiais, pois são obrigados a ficar baseados durante 12 horas em vias de alta velocidade, debaixo do sol ou da chuva. Até para fazer suas necessidades fisiológicas, passam por um humilhante improviso ao serem obrigados a usar sacos plásticos (!).

A ASSINAP, em defesa destes policiais, já comunicou o caso para a Comissão de direitos humanos da Alerj e OAB. Alô Comando Geral, alô deputados! Será que ninguém vê?

 
PM não está preparada para ajudar os que se ferem em serviço
Militar reformado conta como, mesmo sem apoio oficial, conseguiu se readaptar e continuar prestando serviços à comunidade
Ele entrou na Polícia Militar por opção e vocação. Podia escolher fazer o curso de engenharia em três universidades públicas onde foi aprovado, mas preferiu entrar na Escola de Oficiais. O ano era 1993 e Luiz Otávio Dutra foi o primeiro colocado da turma. Durante oito anos, usou a farda da PM com orgulho, recebeu várias medalhas e condecorações, entre elas “Coragem e destemor” e uma Menção Honrosa dada pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

O primeiro tenente já acumulava no currículo ações com mais de 100 flagrantes, quando sofreu um assalto indo para o 15º Batalhão, em Duque de Caxias. Três homens invadiram a Van onde ele estava com outros passageiros. Otávio reagiu e levou sete tiros - um na coluna - que o deixou preso a uma cadeira de rodas. Seu sonho de criança, um futuro brilhante na PM foi barbaramente interrompidos.

De uma hora para outra, o jovem de 27 anos se viu numa cama de hospital com a vida completamente mudada. As dificuldades para se adaptar à nova realidade eram muitas, mas com apoio da família, principalmente dos pais - que considera os verdadeiros heróis dessa história - Dutra estava disposto a refazer sua vida.

“Foi difícil, pois, quando somos policiais pensamos equivocadamente que só sabemos exercer essa profissão”, conta.

Dessa certeza vem a maior crítica dele a corporação. Mesmo com o grande número de profissionais que enfrentam problemas semelhantes aos de Luiz Otávio, a PM não criou programa algum para readaptar esses homens, permitindo que eles continuem servindo à população em funções compatíveis como suas novas necessidades físicas.

Sem esse respaldo oficial, mas com o apoio da família e dos amigos Luiz Otávio recomeçou uma nova vida. Como sempre foi um aluno aplicado, conseguiu uma bolsa do vice-reitor na PUC, professor Augusto Sampaio, para estudar Direito.

Hoje, 10 anos depois do assalto, Luiz Otávio está casado, feliz, e aprendeu uma nova profissão da qual se orgulha muito, é juiz leigo.

“Sou casado com uma grande companheira e uma linda mulher”, derrama-se.

Como juiz Leigo, ele realiza projeto de sentença homologado pelo juiz togado. Foi a forma que encontrou de continuar prestando serviços à comunidade.

A nova condição física deu a ele um olhar mais atento para os problemas enfrentados pelos portadores de necessidades especiais, mas o ex-combatente militar é otimista.

“A sociedade está pouco preparada para conviver com a diferença, mas estamos melhorando. As barreiras arquitetônicas estão sendo superadas, a preocupação em construir rampas e locais adaptados vem aumentando”, destaca.

Já com relação aos problemas enfrentados pelos militares, ele acredita que a coisa só piorou. “O governo não valoriza os policiais. A insegurança é maior e os salários não acompanharam o custo de vida. Sem alternativas, os PMs se submetem a subempregos. Uma situação que além de colocar a vida do policial em risco, diminui, muito, a qualidade do serviço prestado”, avalia.

Quando perguntado que conselho daria para um colega que estivesse passando por um problema parecido com o seu, Luiz, que é Kardecista, é taxativo.

“Acredite no porvir. Situações como estas são uma ótima oportunidade para exercer a paciência e entender a vida por outro foco, é uma chance ímpar para ser aproveitada. Hoje, olhando para trás, constato que superei muito mais do que pensei que pudesse superar. Agradeço muito a Deus por isso”, conclui.