:: JORNAL ASSINAP - Outubro / 07 - pág. 04 & 05
 
Arte que salva
Depois de passar anos sofrendo de síndrome do pânico, Everaldo descobre na arte sua cura
Pelos idos de 1990, Everaldo Nunes de Oliveira viveu os anos mais tristes de sua vida. Pouco tempo depois de ser reformado, perde sua filha de 21 anos, vítima de atropelamento. A partir deste acontecimento, ele deixou de querer realizar atividades rotineiras como ir à rua ou entrar em elevador e passou a ter medo de escuro. Só ia a algum lugar se tivesse companhia. Sem saber o que estava acontecendo, Everaldo se via cada dia mais perdido. Era a Síndrome do Pânico, um problema sério de saúde, mas que pode ser controlado com o tratamento correto. (ver quadro)

“Se eu tivesse arma em casa, teria me matado. Eu sentia uma agonia, achava tudo sem sentido. Não saía sozinho porque achava que podia acontecer algo e não ter ninguém para me ajudar”, relembra.

Os sintomas externos de um ataque de pânico geralmente causam experiências sociais negativas como vergonha, estigma social, etc. Como resultado disto, boa parte dos indivíduos que sofrem de transtorno do pânico também desenvolvem agorafobia (medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão).

Na época em que começou a apresentar os sintomas da doença, ele tinha pouco tempo de reformado e se sentia mal ao saber, pela imprensa, de casos sobre corrupção de policiais.

“Quando sabia notícia de policiais corruptos, ficava envergonhado, aquilo me deixava arrasado porque nunca fui assim. Isso me fazia muito mal também. Passei mais de um ano sendo acompanhado pela psicologia para me livrar da vergonha de ter trabalhado num lugar com tantos desonestos”.

De cara com a Arte

Foram anos sofrendo, até que seu filho o convenceu a ir procurar ajuda com a amiga Henriqueta Sassom, psicóloga e arte-terapeuta.

“Foi a minha salvação. A arte foi o que me trouxe de volta a vontade de continuar vivendo. Quero que todas as pessoas que passaram ou passam o mesmo que eu, saibam que esta doença tem tratamento e que a arte pode ter papel fundamental para a cura. ”, afirma.

Desde então, Everaldo passou a freqüentar regularmente o ateliê Espaço Livre, de Henriqueta,, em Niterói, e se especializou em criar peças feitas com papel jornal, além de pinturas e kirigami (técnica mista que utiliza dobradura e cortes no papel).

Ele também resolveu fundar em 2002, junto com amigos, a ONG Pro Arte Cultural de Capacitação e Cidadania, em Cabo Frio, onde são oferecidos cursos de arte gratuitos para a comunidade, como patchwork (retalhos), criação de brinquedos com garrafas PET, borracha e feltro de pano. A ONG também montou uma brinquedoteca em parceria com a Universidade Veiga de Almeida. Os brinquedos ficam à disposição da criançada, e são os alunos de pedagogia da Universidade que administram o espaço. Quem estiver interessado, basta ligar para o telefone (22) 2647.1923 e se informar sobre os horários. Os cursos são gratuitos.

A arte também confiança a Everaldo. Depois dos cursos, ele passou a fazer exposições, mas assume que tem certo ciúme de suas criações. Já perdeu a conta de quantas vezes preferiu não vender peças que gosta. Durante uma exposição em Cabo Frio, ele se negou a vender um poste feito todo de material reciclado a uma pessoa importante da cidade.

“É uma das peças que mais me orgulho de ter feito. Às vezes uma peça deu tanto trabalho pra fazer que eu prefiro mantê-la comigo. Depois o dinheiro acaba e eu fico sem o dinheiro e sem a obra. Meu objetivo com a arte não é ganhar dinheiro, é recuperar minha saúde. Quero mostrar que com material que ninguém quer mais, se pode fazer coisas bonitas”, explica.

Se antes do tratamento, Everaldo era inseguro e sisudo, hoje em dia ele faz trabalhos voluntários ministrando oficinas de arte.

“Não acreditava que um dia pudesse ensinar alguém. A arte me fez crescer muito. Quando vejo uma pessoa idosa toda empolgada porque conseguiu criar uma peça por causa do que ensinei, fico feliz. Este é meu maior pagamento”, diz, emocionado.

Sua esposa, Adinete Silva de Oliveira, acompanhou toda transformação.

“Ele passou por um processo muito difícil, não relaxava. Apesar de sempre ter sido criativo, ele não acreditava no próprio potencial. Com a arte-terapia, ele se descobriu”, diz a esposa.

Serviço
O ateliê Espaço Livre oferece cursos para arte terapeutas e astrologia, além de oficinas de pintura, mosaico, canto, papel machê, cartonagem, coral, etc.
Rua Dr. Sardinha, 22 Santa Rosa Tel: 2611.7550 - espacolivre@terra.com.br
Site: www.fotolog.com/_espacolivre

O que é Síndrome do Pânico?

A característica principal do quadro clínico da "Síndrome do Pânico" são crises de ansiedade agudas, as chamadas crises de pânico. Estas se caracterizam pela súbita, inesperada e freqüentemente avassaladora sensação de terror e apreensão, acompanhada de sintomas somáticos em muitos órgãos e sistemas, como falta de ar, palpitações e sensação de desfalecimento. Os sinais e sintomas de uma crise de pânico são semelhantes aos que ocorrem durante um esforço físico intenso ou numa situação de risco de vida.
A crise de pânico vem rapidamente e com severa angústia. A freqüência de ocorrência das crises é variada e estas são em geral totalmente debilitantes, sendo usualmente seguidas de fadiga, conseqüência do desgaste gerado pela mesma. Alguns sintomas de uma crise de Pânico são: dor no peito, sudorese abundante e fria, tontura, tremores, rigidez, dificuldade no pensamento linear e lógico, sensação de desmaio, entre outras.
 
Na ronda

Só praças punidos

Estranho que a investigação no 15º BPM (Duque de Caxias) só tenha encontrado praças. É improvável que mais de 10% do efetivo seja suspeito de envolvimento com o tráfico e nenhum oficial tivesse conhecimento... É, pelo jeito, eles devem ter estudado na mesma escola do presidente Lula e não sabiam de nada.
Ou então, a PM está resguardando a identidade das raposas felpudas e só punindo, como de praxe, a parte fraca da tropa. A ASSINAP é a favor da punição exemplar de todos os que forem comprovadamente culpados, incluindo praças e oficiais. As praças já tiveram até seus nomes e fotos divulgadas, sem conclusão de julgamento. Já em relação aos oficiais...

...E os bandidos?

Outra pergunta em relação à investigação no 15º BPM... Se as escutas telefônicas registram conversas entre policiais e traficantes, por que não prenderam os bandidos também? É cada coisa...

São Gonçalo chapa quente

Segundo moradores da cidade e policiais civis, a violência aumentou na cidade depois que o único batalhão da PM, o 7º BPM, deixou de fazer policiamento ostensivo por falta de carros.
Dos 32 veículos, apenas sete estão sendo usados. O problema é que muitas vezes as viaturas estão mobilizadas para registros de ocorrência e não sobram veículos para o policiamento ostensivo nos centros comerciais, bancos e bairros mais populosos. Para evitar que os carros da PM fiquem todo este tempo em delegacias apenas para notificar registros, só com a liberação do Termo Circunstanciado para a Polícia.

Violência no Morro do Céu

O pessoal do 12º BPM(Niterói) e do CPI deveriam observar o crescimento da violência e na frequência no entorno do Morro do Céu, no bairro doCaramujo, em Niterói. Traficantes circulam armados à luz do dia pelas ruas, amedrontando moradores. Os mesmos criminosos estão morando em barracos montados dentro do lixão.

Lei 4848

Ainda há uma saída. Como a Lei 4848 foi julgada inconstitucional, entre outras causas, por onerar o estado com o custo das carteiras, a ASSINAP sugere ao deputado Cel. Jairo, autor da proposta, que crie um novo projeto de le. Desta vez, poderia colocar a Associação como a fonte pagadora dos encargos relativos às carteiras de militares associados ou não.

Terceirização da frota da PM

O governo do estado do Rio de Janeiro concluiu o processo de licitação de compra e manutenção (processo casado) da frota para a Polícia Militar. Segundo a Secretaria de Estado de Governo, serão adquiridos 632 carros, sendo 578 da marca Gol e 54, da Blazer. A empresa Júlio Simões venceu o processo pelo valor de R$ 68 milhões.
A novidade pode significar a volta de centenas de policiais às ruas, homens esses que fazem serviço de mecânico improvisado nos quartéis, em vez de realizar atividade-fim. A ASSINAP espera que a PM não esqueça de dar treinamento a estes homens antes de colocá-los nas ruas.

Rio e SP têm metade dos assassinatos no País

Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), 100 pessoas morrem por dia no Brasil, em média, vítimas de armas de fogo. Juntas, São Paulo e Rio respondem por metade dos assassinatos no Brasil, de acordo com o estudo, que dizainda que a violência das facções criminosas em São Paulo e no Rio já se tornou rotineira.
O relatório compara a Colômbia com o Rio. Entre 1978 e 2000, 49,9 mil pessoas foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período, 39 mil pessoas foram vítimas de homicídio em toda a Colômbia.
O documento afirma que os jovens são as principais vítimas da violência em todo o mundo. Um dos fatores é a existência de 74 milhões de jovens desempregados.

Patrocínio na farda

Vem gerando polêmica o projeto de lei que autoriza empresas privadas a usar sua logomarca nos uniformes e fardas de policiais civis e militares, bombeiros e agentes penitenciários.
Em troca, elas pagariam meio salário mínimo regional (cerca de R$ 200) a cada servidor da unidade de segurança pública "patrocinada" (batalhão da PM, delegacia, quartel do Corpo de Bombeiros ou unidade prisional da Secretaria estadual de Administração Penitenciária).
O autor da proposta, deputado Wagner Montes (PDT), defende que a idéia serve para conceder aumentos indiretos para os servidores da Segurança Pública, como uma forma de minimizar a defasagem salarial acumulada nos últimos anos.
Ilustre deputado, a idéia até pode ser boa, mas é quase certo que as empresas patrocinadoras passem a querer o privilégio de ter policiais próximos a seus estabelecimentos, confundindo patrocínio com segurança privada.

 
Farda do Bope para qualquer um
Comerciantes faturam com venda do uniforme dos caveiras
Antes chegar às telas,o filme já estava sendo vendido nos calçadões por camelôs. Depois da estréia oficial, “Tropa de Elite” agora faz a alegria do comércio especializado em fardas militares.

A procura pelos uniformes semelhantes aos que são usados pelos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) cresceu mais de 30% desde que o filme foi pirateado.

Os motivos são vários. Uns compram a roupa para participar de festas à fantasia ou até mesmo para usar nas ruas, com peças separadas. As roupas custam, em média, R$ 250, e a maior procura é feita por jovens de até 25 anos. A peça mais barata é a touca ninja, que custa R$ 8, seguido pela boina, R$ 37. O coturno varia de R$ 88 a R$ 120. A calça preta de brim liso sai por R$ 35. Se o modelo for acolchoado, sobe para R$ 58. O valor da gandola (camisão de manga comprida) é R$ 58.

O uniforme pode ser encomendado via Internet. Sites oferecem fardas, brevê (R$ 3,50) e distintivos de boina do Bope (R$ 8,50).

Controle na venda

No entanto, para o presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, a farra em torno da compra do uniforme deveria ser coibida.

“Essa moda pode ser perigosa. Só o policial identificado deveria ser autorizado a comprar este tipo de roupa, afinal um fardamento não é um traje comum. Se qualquer pessoa pode obter com tamanha facilidade, as conseqüências podem ser muito ruins”, diz.

Só uma lei pode impedir a venda indiscriminada do uniforme. Cordeiro sugere que os deputados criem uma lei, proibindo a venda dos uniformes para pessoas não identificadas.