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Passadas as eleições municipais, a
Alerj deve agora se debruçar num assunto bastante esperado pela
tropa: a mudança no estatuto da Polícia Militar.
Durante o período eleitoral, das quatro reuniões marcadas
para discutir o estatuto, apenas duas aconteceram e mesmo assim com
atraso de mais de uma hora para ter início.
O objetivo, segundo o presidente da comissão, coronel Jairo,
é “elaborar um anteprojeto de lei do novo estatuto, tendo
em vista que o vigente foi criado há quase três décadas
e mais parece uma colcha de retalhos”.
A última reunião aconteceu no dia 15 de outubro, com a
participação da ASSINAP, de oficiais da PM, Aspra, AME
e Aspom e os deputados Cel Jairo, Paulo Ramos e Wagner Montes.
Coronel Jairo disse que o documento será criado de forma democrática,
ouvindo todas as partes interessadas e garantiu que assim que o anteprojeto
do estatuto for elaborado, ficará disponível para consulta,
antes mesmo de ser apresentado para análise do governador. “Tudo
será feito às claras”, afirmou.
A ASSINAP defende prioritariamente os seguinte itens:
- estabelecimento de uma carga horária para o policial;
- enxugamento da hierarquia militar;
- entrada única para PM, com apenas uma forma de ingresso na
Corporação, começando todos como soldados;
- criação de um conselho único para julgamento
de desvios disciplinares;
- fim do rancho e distribuição de vales-refeição
ou etapa de desarranchamento;
- retirada do reformado do RDPM;
- criação e implementação do plano de carreira;
- soldo não pode estar abaixo do salário-mínimo;
- modernização e constitucionalização do
Regulamento Disciplinar.
O diretor de Finanças da PM, coronel
Adilson Theodoro Soares, falou da dificuldade em gerenciar uma instituição
com um efetivo tão grande. “Temos que trabalhar com responsabilidade
para rever a condição do policial e melhorar também
sua remuneração. Não é simples administrar
uma instituição com 38 mil homens. Temos que criar um
documento para melhorar a PM e fazer com a instituição
seja respeitada”, disse coronel Adilson.
O presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, ainda defende a extinção
do quadro de saúde, ficando estes vinculados à Secretaria
Estadual de Saúde. O objetivo é acabar com a hierarquia
na área, que gera danos nas perícias para a inatividade.
Segundo Cordeiro, só assim PM e o BM obedeceriam o código
de ética médica, que veda médico do próprio
trabalho periciar funcionário da empresa. |
Wagner Montes:
“A PM continua sendo madrasta”
O deputado Wagner Montes criticou a postura dos comandos da PM em
não respeitar as decisões dos Conselhos de Disciplina
e de Justiça.
“Muitas vezes, os conselhos - que são compostos
por pessoas de confiança do comandante - optam pela permanência
do policial e comandante o exclui. Isso é muito grave. A PM
não prejudica apenas ao policial, mas também a toda
sua família. Em vez de pedir desculpas e chamar o policial
de volta, a PM continua madrasta e só reconhece os direitos
do policial quando este recorre à Justiça. Há
muito para discutir”, ressaltou Montes.
Paulo Ramos:
“O Comando sempre fica ao lado do governo”
O deputado Paulo Ramos defendeu o papel das associações
na luta por melhorias para a categoria, que seguem sem ter o apoio
da corporação, já que na maior parte das vezes
a Corporação se coloca ao lado do governo.
“As associações são importantes para
reivindicar melhorias, inclusive salarial, visto que não cabe
ao comando este tipo de pressão. No entanto, o comando da PM
vem sucessivamente trabalhando para o enfraquecimento das associações.
A PM quer aumento, mas quando alguém luta por ela e consegue
mobilizar a categoria para conquista destas melhorias, a própria
PM trata de punir seus subalternos numa posição de defesa
do governo. É um contrasenso que tem que ser repensado”,
analisou Ramos.
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