:: JORNAL ASSINAP - NOVEMBRO 2009 - pág. 04
 
TREINAMENTO
Um novo tempo para o CFAP
Programa de Formação de Policiais é reformulado
O curso de formação de policiais vem passando por reformulações profundas. Novas disciplinas estão sendo acrescentadas e o tempo de treinamento será cumprido à risca. São cinco meses no CFAP e um mês de estágio em algum batalhão.

Em visita na Unidade, o presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, conversou com o Comandante do CFAP, Tenente Coronel Josiel Havani dos Santos, e pode comprovar que estão acontecendo mudanças para melhor.

Em 2008, Miguel chegou a criticar na imprensa o Centro pelas graves falhas no treinamento de tiro, pois muitos soldados e cabos comentavam na Associação que quase não treinaram com armas durante sua formação. O Tenente-Coronel Havani assumiu o comando em julho de 2009, mas já se percebe alterações significativas no plano de treinamento.

Hoje em dia, um recruta realiza, no mínimo, 300 tiros com armas diferenciadas (metralhadoras, fuzis, calibre 38 e 12, etc). Os tiros não são dados apenas com o recruta parado, mas simulando situações em movimento.

- Na maioria das vezes, o policial necessita atirar em situações de movimento. Dar tiros estando parado é a exceção. É um treinamento mais voltado para atiradores de elite. Então, é fundamental que o novo policial saiba entender como se comporta uma arma quando ele está em movimento e com pouco tempo para decidir o que fazer ensina o Comandante.

As classes de abordagem também foram modificadas, passando a ter 140 horas-aula, sendo 70 horas na sala e 70 horas na cidadela cenográfica inaugurada em agosto. Na parte teórica, os policiais recebem aulas de direito penal, militar e administrativo, telecomunicações e notas de instrução.

Outro problema recorrente, que era o fornecimento de uniformes também foi sanado. Por falta de uniformes, anteriormente os recrutas treinavam de calça jeans e camisa branca próprias.

Coronel já morou no CFAP

Vindo do interior do estado, o hoje tenente-coronel Havani chegou a morar durante sete anos no CFAP quando lá serviu no início da carreira, portanto conhece bem Unidade.

- Tenho um carinho especial por esse lugar. Iniciei minha vida militar aqui comenta.

Sua história de vida, de certa maneira, continua se repetindo em outros jovens que chegam ao CFAP.

- Eu conheço bem as carências dos recrutas e procuro administrar de forma mais humana, na tentativa de resolver e ajudar, não apenas com base em punições. Procuramos ter o bom senso, desde que o bom senso não comprometa a PM nem o Comando.

 
Cidadela cenográfica para aperfeiçoamento praças
Em agosto, foi inaugurado dentro do CFAP, o Centro de Treinamento Técnico Profissional “Sgt PM João Batista Retameiro”, em Sulacap, Zona Oeste do Rio.

Conhecida como cidadela cenográfica, o local será utilizada para treinamento de recrutas e policiais de batalhões operacionais, funcionando numa área de quase 1, 8 mil metros quadrados. Uma torre de controle vai comandar o treinamento, que terá efeitos de luz, fumaça e som de tiros. As casas tem lajes, portas e janelas, simulando uma comunidade.

Os policiais treinam com armas de paintball e praticam exercícios noturnos. No local, que permite treinar grupos de 20 policias de uma só vez, ainda serão aplicadas oficinas de direitos humanos, para melhorar a relação dos PMs com a população. Outros temas, como atuação em acidentes de trânsito, também serão abordados.
 
Trabalho integrado com o CRSP
Trabalhando numa afinada parceria com CFAP, o Centro de Recrutamento e Seleção de Praças (CRSP) estabelece critérios para avaliação de novos recrutas. O CRSP, comandado atualmente pelo tenente-coronel Frederico, é o órgão da PM que realiza os concursos e os testes físicos e psicológicos posteriores a aprovação do candidato.

Os testes psicológicos são referendados pelo Conselho de Psicologia e aplicados por psicólogas da PM em parceria com a UNB (Universidade de Brasília).

- Alguns candidatos reclamam que foram reprovados no teste psicológico, mas esse é um critério importantíssimo que não podemos abrir mão de forma alguma. Cuidamos para que não haja afrouxamento do processo seletivo e para que o recruta selecionado seja, de fato, o melhor candidato - diz o Comandante Frederico, que já foi praça, mas depois de um tempo prestou exame para o oficialato da PM.

O tenente-coronel Frederico também pretende montar um núcleo de saúde na Unidade para desafogar o sistema da PM. Ele ressalta que tem recebido apoio do Comando para realização dos projetos.

O Comandante adiantou que dois novos concursos serão realizados: 90 vagas para sargento-músico, voltado ao público feminino; e para oficiais nas funções de nutricionistas, assistentes sociais e pedagogos.
 
Verba do concurso
No início do governo Cabral, a ASSINAP e outras associações solicitaram ao governador que os concursos fossem realizados pela PM, e não mais pela FESP, como acontecia.

A justificativa era que a PM tinha condições administrativas para fazê-lo e também para que a verba arrecadada na inscrição fosse revertida para compra de uniformes e equipamentos para o curso de recrutas.

Anos se passaram, comandos mudaram e novos concursos foram feitos, mas não houve a prestação de contas por parte da PM, depois que conseguiu seu objetivo.

- A informação que temos é que a verba fica na DGS, mas não sabemos seu destino. A ASSINAP, como foi parceira nesse pleito, acha razoável a indicação de representantes para acompanhar futuros concursos e solicita divulgação do que está sendo feito com o dinheiro.- diz Miguel, que acompanhou a aplicação das provas no último certame.