A blogosfera de policiais
do Rio de janeiro está em plena campanha pelo fim do rancho.
Provavelmente com medo de punições, muitos dos blogs não
informam o autor e a maioria dos comentários é feito por
anônimos. No entanto, mesmo sob o anonimato, os comentários,
idéias e debates devem ser considerados.
Para o blog Somos praças “chega de dobradinha e carne
de monstro!”. Ainda de acordo com o blog, “a comida
é péssima, (...) os policiais a fazem com uma má
vontade incrível e o dinheiro que é destinado para o rancho,
muitas das vezes é desviado para outras coisas, sem falar no
desperdício, pois quando a comida está ruim demais, vai
tudo para o lixo. Sem falar também nos desvios da comida crua
(carne, arroz, feijão, frango, etc) que acontece diariamente
por parte de quem trabalha no rancho e seus comandantes”.
O blog Justiça salarial, do major PM Wanderby Medeiros, também
dá espaço para a discussão e num dos comentários
um participante não identificado escreveu:
“Um oficial da PM calcula que se isso (fim do rancho) acontecer
voltam imediatamente para as ruas do Estado mais de 800 Policiais Militares.
Atualmente, esses homens trabalham nos ranchos como cozinheiros, garçons
ou, simplesmente, cuidando dos alimentos dos estoques. (...) Em São
Paulo, os policiais militares ganham tíquetes-refeição
para se alimentar fora das unidades. Depois que acabou o rancho na PMDF,
os Policiaisitares recebem uma mensal referente à alimentação
e podem comer onde querem, escolhendo o que comer. Com o fim dos ranchos,
os oficiais superiores se lamentarão profundamente, pois não
podem desviar recursos para seus caprichos pessoais. Chega de roubalheira
na PMERJ!”
Os blogs o alvo da chibata, Praças da PMERJ;
Vida na caserna, Coturno carioca e Conto de fardas também entram
de sola pelo fim do rancho. Um comentário no último blog
assinado pelo soldado PM Oliveira diz:
“Chega de roubalheira! Tíquete refeição
para a PMERJ já! É um efetivo de quase 1000 homens sendo
desperdiçado! Somos policiais, não cozinheiros! Vamos
lá Cabral! Mostre seu poder! Acabe com a roubalheira! Chega de
carne de pescoço para praça e moqueca de camarão
para oficial!”. Até o blog Grupo Pcerj, da Polícia
Civil, entrou na briga em apoio aos militares publicando o texto que
circula nos blogs de militares contra o rancho.
ASSINAP apóia extinção
do rancho
A ASSINAP também é a favor da extinção
do rancho. A associação já manifestou essa opinião
várias vezes na imprensa, inclusive fazendo denúncias
de desvio de verba do rancho para outros fins.
“O policial tem que ter liberdade para se alimentar onde,
como e quando quiser. Muitas das vezes, a alimentação
dos batalhões é de baixa qualidade e não é
adequada para pessoas que precisam seguir alguma dieta. Outro ponto
a se analisar é o tratamento discriminatório que se observa
entre oficiais e praças, com espaços e horários
diferenciados. Além do mais, policial é para estar nas
ruas fazendo atividade-fim. É um escândalo colocar na cozinha
um efetivo que deveria servir à população”,
argumenta Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP.
Rancho e conserto de viatura
Os policiais sugerem a substituição do
rancho pelo vale-refeição ou o pagamento em dinheiro correspondente
ao desarranchamento.
“Antigamente, o desarranchamento total da PMERJ não
passava pela ALERJ por pressão dos Coronéis, que alegavam
que usavam parte do dinheiro do rancho para o conserto de viaturas.
Qual será a desculpa agora, pois as viaturas agora são
terceirizadas?!”, comenta um policial.
Vantagens
Os policiais apontam vantagens no novo modelo. Citamos
abaixo algumas:
- Mais Policiais Militares nas ruas. Se o Policial Militar almoçar
e jantar na rua, na prática terá mais policiais 24 horas
por dia. Não precisam perder tempo retornando ao batalhão
para tirar hora de almoço;
- Aproveitar estes oficiais que comandam o rancho e os demais policiais
que poderiam estar nas ruas e estão escondidos nos ranchos, prestando
um serviço de natureza não policial;
- Os espaços onde hoje se encontram os ranchos poderiam se tornar
salas de aula para cursos de reciclagem, projetos para a comunidade,
UBS (Unidade Básica de Saúde), estandes de tiro, alojamentos
ou até banheiros. |