:: JORNAL ASSINAP - MARÇO / 09 - pág. 05
 
Lado positivo do rancho
 
A blogosfera de policiais do Rio de janeiro está em plena campanha pelo fim do rancho. Provavelmente com medo de punições, muitos dos blogs não informam o autor e a maioria dos comentários é feito por anônimos. No entanto, mesmo sob o anonimato, os comentários, idéias e debates devem ser considerados.

Para o blog Somos praças “chega de dobradinha e carne de monstro!”. Ainda de acordo com o blog, “a comida é péssima, (...) os policiais a fazem com uma má vontade incrível e o dinheiro que é destinado para o rancho, muitas das vezes é desviado para outras coisas, sem falar no desperdício, pois quando a comida está ruim demais, vai tudo para o lixo. Sem falar também nos desvios da comida crua (carne, arroz, feijão, frango, etc) que acontece diariamente por parte de quem trabalha no rancho e seus comandantes”.

O blog Justiça salarial, do major PM Wanderby Medeiros, também dá espaço para a discussão e num dos comentários um participante não identificado escreveu:

“Um oficial da PM calcula que se isso (fim do rancho) acontecer voltam imediatamente para as ruas do Estado mais de 800 Policiais Militares. Atualmente, esses homens trabalham nos ranchos como cozinheiros, garçons ou, simplesmente, cuidando dos alimentos dos estoques. (...) Em São Paulo, os policiais militares ganham tíquetes-refeição para se alimentar fora das unidades. Depois que acabou o rancho na PMDF, os Policiaisitares recebem uma mensal referente à alimentação e podem comer onde querem, escolhendo o que comer. Com o fim dos ranchos, os oficiais superiores se lamentarão profundamente, pois não podem desviar recursos para seus caprichos pessoais. Chega de roubalheira na PMERJ!”

Os blogs o alvo da chibata, Praças da PMERJ; Vida na caserna, Coturno carioca e Conto de fardas também entram de sola pelo fim do rancho. Um comentário no último blog assinado pelo soldado PM Oliveira diz:

“Chega de roubalheira! Tíquete refeição para a PMERJ já! É um efetivo de quase 1000 homens sendo desperdiçado! Somos policiais, não cozinheiros! Vamos lá Cabral! Mostre seu poder! Acabe com a roubalheira! Chega de carne de pescoço para praça e moqueca de camarão para oficial!”. Até o blog Grupo Pcerj, da Polícia Civil, entrou na briga em apoio aos militares publicando o texto que circula nos blogs de militares contra o rancho.

ASSINAP apóia extinção do rancho

A ASSINAP também é a favor da extinção do rancho. A associação já manifestou essa opinião várias vezes na imprensa, inclusive fazendo denúncias de desvio de verba do rancho para outros fins.

“O policial tem que ter liberdade para se alimentar onde, como e quando quiser. Muitas das vezes, a alimentação dos batalhões é de baixa qualidade e não é adequada para pessoas que precisam seguir alguma dieta. Outro ponto a se analisar é o tratamento discriminatório que se observa entre oficiais e praças, com espaços e horários diferenciados. Além do mais, policial é para estar nas ruas fazendo atividade-fim. É um escândalo colocar na cozinha um efetivo que deveria servir à população”, argumenta Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP.

Rancho e conserto de viatura

Os policiais sugerem a substituição do rancho pelo vale-refeição ou o pagamento em dinheiro correspondente ao desarranchamento.

“Antigamente, o desarranchamento total da PMERJ não passava pela ALERJ por pressão dos Coronéis, que alegavam que usavam parte do dinheiro do rancho para o conserto de viaturas. Qual será a desculpa agora, pois as viaturas agora são terceirizadas?!”, comenta um policial.

Vantagens

Os policiais apontam vantagens no novo modelo. Citamos abaixo algumas:

- Mais Policiais Militares nas ruas. Se o Policial Militar almoçar e jantar na rua, na prática terá mais policiais 24 horas por dia. Não precisam perder tempo retornando ao batalhão para tirar hora de almoço;

- Aproveitar estes oficiais que comandam o rancho e os demais policiais que poderiam estar nas ruas e estão escondidos nos ranchos, prestando um serviço de natureza não policial;

- Os espaços onde hoje se encontram os ranchos poderiam se tornar salas de aula para cursos de reciclagem, projetos para a comunidade, UBS (Unidade Básica de Saúde), estandes de tiro, alojamentos ou até banheiros.