:: JORNAL ASSINAP - MARÇO / 09 - pág. 02
 
EDITORIAL
Pela liberdade de expressão
Em tempos de democracia, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro mostra que não mudou a visão com o passar dos anos. No dia 10 de março passado, a prisão do coronel Ronaldo Antônio Meneses, lotado no 4º Comando de Policiamento de Área (Niterói), levantou a polêmica da liberdade de expressão na PM. Apesar do respeito que construiu em 35 anos de corporação, o comentário do oficial no blog (página na internet usada para emitir opiniões, entre outras coisas) do colega de farda e ex-corregedor da PM Paulo Ricardo Paúl serviu para deixar Ronaldo Menezes preso por quatro dias.

Não satisfeito com as críticas à Secretaria de Segurança Pública, o comandante-geral da PM, Gilson Pita, resolveu aplicar uma punição disciplinar no coronel Menezes. Entre os comentários que Menezes fez na internet, a polêmica do “bico” para os PMs foi citada. Eis um trecho: “O quadro parecia que estava pronto, o 'bico' tornou-se a atividade principal e o serviço público, um complemento, cujo principal atrativo era conferir o direito à identidade e arma de fogo. O patrão deixou de ser a população e passou a ser o 'dono da segurança', o interesse deixou de ser a coisa pública e passou a ser o privado”.

Como presidente da ASSINAP, entendo que os "bicos" só acontecem porque os policiais ganham mal. A remuneração é tão baixa que a única maneira de sustentar uma família é ter um outro trabalho para complementar a renda mensal. Qualquer tentativa de impedir um policial militar de falar o que pensa é voltar no tempo em que as pessoas eram torturadas e mortas porque não apoiavam o governo.

É um absurdo o que aconteceu com o coronel Menezes. Críticas servem para fazer com que as pessoas analisem os fatos e formem opinião. Punir um policial simplesmente por expor o que pensa é uma tentativa de “emburrecer” toda uma tropa. A PM deveria aproveitar seus 200 anos de história e repensar as medidas punitivas. A Assinap sempre estará a favor da liberdade garantida na constituição.

Miguel Cordeiro
Presidente ASSINAP

 
Trechos da crítica do coronel Ronaldo Antônio de Menezes escritas no blog de Ricardo Paul
“Política de Segurança Pública não pode se sustentar apenas em aumento de efetivo, aquisição de viaturas, armamento e equipamento, já que a realidade vem demonstrando que simplesmente “botar o bloco na rua” não vem contribuindo para a redução da criminalidade ou o aumento dos delitos solucionados.

Dados disponibilizados pela Própria Polícia Militar dão conta que cerca de 2.300 (dois mil e trezentos) policiais militares estão fora das ruas, à disposição, por exemplo, da Secretaria de Governo, de Assistência Social, de Agricultura, de Ciência e Tecnologia, de Habitação, de Meio Ambiente e de Transporte, também circulam pelos gabinetes de Tribunais, do Ministério Público e de muitas Prefeituras, assim como zelam pela segurança dos presídios, fazendo o papel que deveria ser desempenhado por agentes penitenciários.

Então, cabe aqui perguntar: Por que um profissional preparado para preservar a ordem pública e executar a polícia ostensiva está destacado no Detran? No Detro? Na Secretaria de Agricultura? Nas diversas Prefeituras? Em alguns casos explica-se, pois é uma mão de obra barata e auxilia no aumento de arrecadação. Mas a que preço?

O filão mostrou-se muito mais generoso do que se podia supor e isso atraiu os olhares de oficiais e demais autoridades policiais, foram sendo montadas as firmas de segurança patrimonial, cujos escritórios funcionavam no interior dos aquartelamentos e delegacias e a mão de obra utilizada era abundante e com disponibilidade imediata. Boates, bares, bingos, comércios e congêneres se viram muito mais interessados em contratar uma segurança feita por policiais, que podiam agir ou se omitir como força pública quando necessário.

O quadro parecia que estava pronto, o “bico” tornou-se a atividade principal e o serviço público virou uma atividade complementar, cujo principal atrativo era conferir o direito à identidade e arma de fogo. O patrão deixou de ser a população e passou a ser o “Dono da Segurança”, o interesse deixou de ser a coisa pública e passou a ser o privado”.

coronel Ronaldo Antônio de Menezes (janeiro/09)

 
Dúvidas sobre a Geat
A Assinap entrou com novas ações coletivas para extensão do direito para inativos e pensionistas ao recebimento da Gratificação Especial de Atividade Policial (Geat). “A justiça é lenta, mas a Assinap continua na luta para regularizar e atualizar os valores”, explicou o jurídico da associação. A associação esclarece que essa demora se justifica como uma forma de o estado ganhar tempo e prolongar cada vez mais o pagamento dos atrasados. Depois de seis anos do decreto do então governador Antony Garotinho, em 2007, o pagamento começou a ser feito. Porém com os valores desatualizados. Essa correção no pagamento também faz parte da luta da Assinap. É importante deixar claro que essa ação foi movida em favor dos sócios da associação, ou seja, quem se desligar da associação perde o direito de receber.
 
Luta por sindicato
Por que a Assinap luta para virar um sindicato? Essa pergunta pode ser respondida facilmente: Nas ações judiciais coletivas a sentença será concedida para toda categoria, nesse caso, PM, bombeiros e pensionistas. Além do que, servirá de referência para aplicação da decisão em todos processos. Assim como o próprio estado faz quando vence uma ação isolada. Além disso, o sindicato pode reivindicar representaçáo junto a alguns órgãos. Como em perícias médicas, Rio-Previdência, Dipe, entre outros. Assim, a categoria terá um representante nesses órgãos. Fato que poderá facilitar a intervenção direta nas decisões tomadas. Ou seja, é mais uma garantia para os policiais militares, bombeiros e pensionistas.