“Política de Segurança
Pública não pode se sustentar apenas em aumento de efetivo,
aquisição de viaturas, armamento e equipamento, já
que a realidade vem demonstrando que simplesmente “botar o bloco
na rua” não vem contribuindo para a redução
da criminalidade ou o aumento dos delitos solucionados.
Dados disponibilizados pela Própria Polícia Militar dão
conta que cerca de 2.300 (dois mil e trezentos) policiais militares
estão fora das ruas, à disposição, por exemplo,
da Secretaria de Governo, de Assistência Social, de Agricultura,
de Ciência e Tecnologia, de Habitação, de Meio Ambiente
e de Transporte, também circulam pelos gabinetes de Tribunais,
do Ministério Público e de muitas Prefeituras, assim como
zelam pela segurança dos presídios, fazendo o papel que
deveria ser desempenhado por agentes penitenciários.
Então, cabe aqui perguntar: Por que um profissional preparado
para preservar a ordem pública e executar a polícia ostensiva
está destacado no Detran? No Detro? Na Secretaria de Agricultura?
Nas diversas Prefeituras? Em alguns casos explica-se, pois é
uma mão de obra barata e auxilia no aumento de arrecadação.
Mas a que preço?
O filão mostrou-se muito mais generoso do que se podia supor
e isso atraiu os olhares de oficiais e demais autoridades policiais,
foram sendo montadas as firmas de segurança patrimonial, cujos
escritórios funcionavam no interior dos aquartelamentos e delegacias
e a mão de obra utilizada era abundante e com disponibilidade
imediata. Boates, bares, bingos, comércios e congêneres
se viram muito mais interessados em contratar uma segurança
feita por policiais, que podiam agir ou se omitir como força
pública quando necessário.
O quadro parecia que estava pronto, o “bico” tornou-se
a atividade principal e o serviço público virou uma
atividade complementar, cujo principal atrativo era conferir o direito
à identidade e arma de fogo. O patrão deixou de ser
a população e passou a ser o “Dono da Segurança”,
o interesse deixou de ser a coisa pública e passou a ser o
privado”.
coronel Ronaldo Antônio de Menezes (janeiro/09)