:: JORNAL ASSINAP - março / 08 - pág. 02
 
EDITORIAL
Será que agora vai?
No mínimo, o piso mínimo regional para soldado
“Há duas coisas a que temos de nos habituar, sob pena de acharmos a vida insuportável: são as injúrias do tempo e as injustiças dos homens.”
Sébastian-Roch Chamfort (Autor francês)

Os últimos meses foram férteis em manifestações por parte das corporações militares estaduais, já desesperadas com a perda do poder aquisitivo de seus integrantes. Muitos saíram às ruas com propostas diferentes, mas com o mesmo objetivo, afinal todos querem receber vencimentos justos.

Mas não sabemos se a Justiça salarial chegará na medida de nossas necessidades. Não é de hoje que policiais e bombeiros são mal remunerados no estado do Rio de janeiro. A categoria é massacrada há décadas pelo descaso das autoridades que se aproveitam da proibição de greve para militares, e assim vão levando seus agentes da segurança como quem toca uma boiada.

Os militares estaduais são tão oprimidos, que mesmo sem dinheiro para transporte ou alimentação, são obrigados a comparecer à sua unidade, sob pena de detenção ou algo que o valha. No início do ano, o Governador determinou o piso mínimo regional para várias categorias de trabalhadores no estado. Para empregadas domésticas, zeladores e porteiros, o piso estipulado foi de R$ 470,34. Quer dizer, a iniciativa privada terá que pagar no mínimo esse valor para contratar esses profissionais.

Pois bem, mas sabe quanto é o soldo de um soldado? A assustadora quantia de R$ 255,32!

É com essa lástima mensal que o soldado arrisca sua vida para defender a sociedade. A mesma sociedade que o estigmatizou e desdenhou, mas que agora está se dando conta da situação de miserabilidade que o policial se encontra.

A situação é tão calamitosa que nossa bandeira é que o soldo do soldado seja igual ao piso mínimo regional da empregada doméstica, tal qual o governador Sérgio Cabral mandou a iniciativa privada pagar.

O soldado sairá de R$ 255,32 para R$ 470,34. Será que o governador acha muito para um servidor desta natureza? Não temos dúvidas que a sociedade apoiaria, pois todos queremos e precisamos de uma polícia motivada.

A Policia Militar é hoje um gigante de baixa produtividade, e ainda é usada como moeda de troca para favores entre os poderes.

O executivo cede milhares de policiais para fazer a segurança pessoal de figurões e figurinhas dos poderes Legislativo e Judiciário.

Até a última conta, eram mais de cinco mil militares entre oficiais e praças em desvio de função. Homens que deveriam estar fazendo atividade-fim, já que a população paga altos impostos para ter segurança também. Mas esses militares estão andando por aí de terno e gravata no fresquinho dos gabinetes, carregando pastas ou sendo motoristas de nossas digníssimas autoridades, com a conivência e permissão do chefe do executivo.

Trocando em miúdos, o estado proporciona segurança gratuita para aqueles que deveriam pagar por ela. O policial remunerado pelo governo atua como segurança particular, e somos nós que pagamos a conta pela falta de policiamento ostensivo. Francamente!

Aí, o cidadão olha pros lados e não vê nenhum policial, mas não é por falta, é que simplesmente estão nos lugares errados.

E não se enganem, o homem que atua nas ruas é o mais cabisbaixo e desamparado da corporação, tanto pelo salário de fome como pelas péssimas condições de trabalho e rigorismo de normas disciplinares quase medievais.

Dar aumento salarial para o PM e BM não é favor, mas uma atitude de quem quer se fazer justo para si mesmo e para com a população que o elegeu.

Miguel Cordeiro
Presidente da ASSINAP

 
Coluna Texto Livre
Policial é ser humano, sabiam?
Estamos detentos em uma prisão transparente construída pela sociedade anestesiada, sem cidadania. Todos nós participamos involuntariamente do velório da saúde, enterro da educação e missa de sétimo dia da segurança.

A insegurança atinge a todos, independente de classe ou categoria, e está se perpetuando. Quem deveria nos transmitir segurança é um homem fraco que não pode nem se expor. São heróis por vocação e vítimas impotentes da desvalorização em todos os sentidos.

Com um soldo de 255 reais são obrigados a defender a sociedade e enfrentar a bandidagem bélica mil vezes mais poderosa do que ele. O policial é um homem perseguido, discriminado e acuado.

Mas a sociedade parece não perceber que ele é um ser humano como qualquer outro, com família e normalmente habitando em área carente, que oferece risco para ele em decorrência d sua profissão. Quando sai para trabalhar tem que esconder seu orgulho de ser um policial, pois tem medo de andar fardado. O policial não tem nenhum direito, só deveres e obrigações.

Pergunto. Uma vida pode valer 255 reais? Você trocaria a sua vida por este valor? Você se colocaria como escudo humano por uma pessoa que você nem conhece? Colocaria sua família em estado perpetuado de tensão sempre pedindo a DEUS para que lhe permita o retorno para casa?

Participe da grande manifestação pela valorização da segurança dia 25 de maio (domingo). A Concentração será às 10h30, na praia de Icaraí, em Niterói, em frente à UFF

André Basílio, cidadão em busca dos Direitos Humanos