A proposta de reforma do
Estatuto da PM, que deverá ser votada nos próximos 15
dias na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), já surgiu
cercada de polêmicas. Tudo porque, entre os itens discutidos no
plenário, está o da criação de vagas temporárias
para policiais militares. Se aprovado o projeto, a função
que será aberta será a de soldado da corporação.
Assim, os contratados ficariam até três anos, com possibilidade
de prorrogação por mais dois anos, fazendo parte da tropa
da PM do Rio. Apesar de esses policiais serem designados para casos
de menor gravidade, fazendo o policiamento ostensivo a pé, a
iniciativa certamente causará transtornos para o Rio.
Segundo o presidente da Assinap, Miguel Cordeiro, o poder de polícia
só pode ser concedido a servidores públicos concursados
e de carreira. “Fico bastante surpreso com o a idéia de
a PM mandar uma proposta absurda e inconstitucional como essa para Alerj.
Um projeto desta natureza é demonstrar total desconhecimento
do direito, despreparo e desrespeito a Constituição Federal",
disse o presidente da Assinap, referindo-se ao artigo 22, inciso XXI.
Miguel Cordeiro também não entende como o deputado Coronel
Jairo (PSC) concordou com a proposta. Ao contrário do que está
sendo discutido na comissão especial que elaborou as sugestões
de mudanças no Estatuto da PM, o parlamentar deveria solicitar,
junto à corporação, a prestação de
contas do dinheiro acumulado e recolhido nos concursos públicos
dos últimos anos promovidos pela Polícia Militar do Rio.
Para o presidente da Assinap, essa é a única forma de
a PM passar transparência e dar explicações à
sociedade sobre o dinheiro em caixa. “Os políticos deveriam
respeitar os PMs e bombeiros, e ler a Constituição Federal,
no artigo 22, inciso XXI, para entender que as normas referentes a garantias
dos militares estaduais, sejam individuais ou coletivas, são
de competência exclusiva da União Federal. Inclusive já
foi reconhecida a constitucionalidade do dispositivo por recente decisão
em Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo
Tribunal Federal (STF)”, afirmou Miguel Cordeiro. A Assinap faz
questão de esclarecer que a própria Constituição
Federal só admite a contratação mediante concurso,
impedindo assim qualquer forma de ingressar na carreira pública
por via indireta. Essas disposições já foram julgadas
constitucionais pelo STF. |
| O que mais se ouve é
que a vida de um policial militar é sacrificada e a remuneração,
muito baixa. Apesar disso, muitos preferem seguir carreira por amor
à corporação. Mas as coisas nem sempre acontecem
da maneira programada. O sonho, vez por outra, acaba interrompido. É
o caso do ex-soldado Antônio Marcos Mesquita Pereira, de 36 anos.
Após sete deles dedicados à PM, foi expulso e até
hoje convive com esse trauma, o qual não consegue superar por
mais que se esforce.
Segundo Antônio Mesquita, o pesadelo dele começou após
prender em 2002 um inspetor da Polícia Civil em Teresópolis,
onde trabalhava na época, lotado no 30º BPM. A partir daquele
ano, tudo mudou na sua vida. Desde então, de acordo com o relato
de Mesquita, passou a ser ameaçado por agentes da 110ª DP
(Teresópolis). Sem saber o que fazer e temeroso com o fato de
colocar em risco a vida dele e da própria família, decidiu
pedir transferência para o 22º BPM (Maré). No mesmo
ano, Antônio contou que enquanto trabalhava na cidade do Rio de
Janeiro, seu destino estava sendo traçado na Região Serrana.
“No início do ano de 2002, policiais da 110ª DP prenderam
dois rapazes, sem mandado de prisão e sem flagrante, que em seguida
foram torturados dentro da delegacia. Eles queriam se vingar da prisão
que eu havia feito de um agente daquele distrito da Polícia Civil.
Os dois homens foram obrigados a confessar que uma equipe do então
sub-comandante do 30º BPM (Teresópolis), coronel César
Vieira, dava cobertura para eles roubarem estabelecimentos comerciais
da região. Além disso, eles disseram na delegacia que
minha esposa, Patrícia, compactuava com o grupo e ficava me namorando
e ajudando a disfarçar os roubos que os rapazes faziam”,
revelou Mesquita.
Pouco depois, com o depoimento da dupla, os agentes prenderam a mulher
de Mesquita em casa. O PM acrescentou que Patrícia também
foi vítima de tortura, socos e pontapés na DP. O objetivo
era tirar uma confissão dela de que todos os policiais da equipe
do sub-comandante, inclusive ele e sua mulher, faziam parte de uma quadrilha.
Mas não conseguiram, segundo Mesquita.
“Como se não bastasse, minha mulher ficou 11 dias presa
em uma unidade prisional masculina. Por sorte e com ajuda de Deus não
aconteceu nada com ela. Depois disso, dos sete policiais suspeitos de
envolvimento no crime, fui o único expulso da PM. O que não
dá para entender, já que fui o único que não
fui denunciado pelo Ministério Público. Ou seja: todos
que foram denunciados e absolvidos continuaram na corporação.
Por que a punição veio apenas para mim? Até hoje
busco explicações para esse caso e não tenho resposta”,
desabafou Mesquita.
Agora, a advogada da Assinap que cuida do caso, Beatriz Bastos, tenta
mais um recurso nesse caso. Duas ações foram perdidas,
mas ainda resta esperança. Seu cliente ainda acredita que poderá
ser reintegrado ao quadro da PM e voltar a combater o crime no Rio de
Janeiro. Hoje, Mesquita trabalha como motoboy, entregando gás.
Ele espera voltar para seu emprego na Polícia Militar. “Depois
do pesadelo, eu e minha mulher recebemos um presente de Deus: a nossa
filha Gabrielle, que hoje tem quatro anos”, conta, orgulhoso. |
| Até o fim deste
ano, o Estado do Rio de Janeiro informou que vai fazer a revisão
2.450 pensões. Essa medida faz parte dos planos do Rioprevidência.
Apesar de a crise mundial ter afetado de maneira negativa o fundo de
benefícios previdenciários dos funcionários do
estado, o diretor presidente do Rioprevidência, Wilson Risolia,
declarou que os reajustes vão continuar sendo concedidos.
As modificações e correções nas pensões
são feitas por meio de processos administrativos ou decisões
da Justiça. De acordo com informações do próprio
órgão, existe atualmente aproximadamente 20 mil processos
de revisão que ainda não tiveram uma definição.
Apesar do volume de processos pendentes, o Rioprevidência disse
que não terá como resolver todos esses casos até
o fim do mandato do governador Sérgio Cabral, que termina em
2010. |
| O presidente da Associação
de Ativos, Inativos e Pensionistas da PM e Bombeiros (Assinap), Miguel
Cordeiro, resolveu esclarecer algumas dúvidas para seus associados.
Ele deixa claro que não tem sido tão participativo, nos
últimos meses, nos assusntos de interesse dos PMs, bombeiros
e pensionistas porque foi submetido a uma intervenção
cirúrgica em fevereiro deste ano e está em recuperação
até hoje.
Apesar dos transtornos de saúde que passou, ele não abandonou
a luta para os policiais militares, bombeiros e pensionistas. Essa busca
para uma vida melhor para os integrantes dessa classe continua sendo
feita, porém de maneira mais discreta, em função
das complicações de saúde que já foram esclarecidas.
Um exemplo de que Miguel Cordeiro continua na batalha é sua insistência
para a aprovação da PEC 300/08 e para a implementação
de um projeto que mudará nossa Segurança Pública. |