| A proposta entregue,
em maio, ao líder do governo na Assembléia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Paulo Melo (PMDB), que
se prontificou a entregar pessoalmente ao governador Sérgio Cabral,
pleiteia ajudar a categoria na forma de cálculo de aplicação
do teto estadual. A Assinap quer que volte a ser feito como antes.
O correto é desconsiderar as vantagens chamadas de indenização,
como o auxílio-moradia, auxílio-invalidez, adicional de
inatividade e a Indenização de Habilitação
Profissional (IHP) que está refletindo no desconto do teto. Essa
forma de cálculo é amparada também pela Constituição
Federal. Segundo o presidente da Associação de Ativos,
Inativos e Pensionistas da PM e Bombeiros (Assinap), Miguel Cordeiro,
o governo estadual, ao mudá-la, opera em inconstitucionalidade,
desrespeitando não só a forma de cálculo, como
também gerando redução de ganhos e afetando direitos
adquiridos e segurança jurídica.
Esta situação, prossegue Miguel Cordeiro, foi agravada
quando houve o aumento de 8% em 2008.
“Na verdade, o Executivo fluminense camuflou um aumento gerado
pela redução de ganhos de outros, ou seja, retirou de
alguns e repassou para os demais”, disse Miguel Cordeiro. Para
esclarecer a situação, um policial militar ou bombeiro,
que recebia valor bruto acima do teto estadual, aplicando a desconsideração
das verbas chamadas de indenizatórias, não sofria desconto,
ou o valor descontado era pequeno.
Entretanto, com o aumento de 8% e a mudança da forma de cálculo,
sem desconsiderar as verbas indenizatórias, o valor a se abater
do teto é muito maior, gerando na verdade redução
dos ganhos. Por esse motivo, a Assinap apresentou ao deputado Paulo
Melo a proposta a fim de que se retorne a forma de cálculo anterior,
o que diminuirá sensivelmente o valor do desconto do teto estadual.
Assim que o Governo do Estado aplicar essa proposta, enviada pela Assinap,
estará fazendo justiça e não estará indo
contra a Constituição Federal (CF). |
A Proposta de Emenda Constitucional
300 (PEC 300), de autoria do deputado federal Arnaldo Faria de Sá
(PTB-SP), é a chance que os policiais militares vão ter
para receber uma remuneração digna. Caso entre em vigor,
poderá mudar a vida de milhares de policiais militares e bombeiros,
inclusive inativos. A PEC 300 prevê que os vencimentos de PMs
e bombeiros de todos os estados brasileiros não sejam inferiores
aos dos colegas de farda do Distrito Federal.
A diferença dos rendimentos dos PMs brasileiros é absurda.
No Rio, ganha-se o pior salário do País. A realidade de
rendimentos é bem diferente quando se tem como base os rendimentos
da PM do Distrito Federal, que é o alvo da comparação.
Enquanto um soldado ingressa na corporação fluminense
ganhando cerca de um salário mínimo, os que começam
a carreira em Brasília têm piso médio de R$ 3.370.
A PEC 300/2008 é uma tentativa de acabar com essa diferença
absurda e inexplicável.
Esse disparate é ainda mais crítico quando observa-se
o dia a dia em locais distintos. No Rio, o PM costuma se arriscar em
confronto com bandidos, seja em favelas cada vez mais tomadas pelo tráfico
de drogas, ruas e até nas cabines onde tiram serviço.
Para piorar, a maior parte dos PMs que entraram recentemente na corporação
do Rio ainda tem que combater os “colegas” de farda que
tomaram o lugar de bandidos e passaram a dominar comunidades carentes,
nas chamadas milícias.
Essa luta é de toda uma tropa. Não adianta reclamar que
o salário do Rio é irrisório e cruzar os braços.
A única maneira de estimular a votação da PEC 300
é ligar para o Disque-Câmara, através do telefone
0800619 619. Ou então acessando a página da Câmara
dos Deputados na internet: www.camara.gov.br. Clique no link “participação
popular” e em seguida no tópico: “fale com deputado”.
Depois coloque o nome do deputado que é o autor da PEC 300/2008,
Arnaldo Faria de Sá, e reclame para que essa realidade da categoria
do Rio mude o mais rápido possível. |
| O caso do PM Paulo Roberto
Gomes de Oliveira, de 44 anos, está sendo conduzido pelo corpo
jurídico da Associação de Ativos, Inativos e Pensionistas
da PM e Bombeiros (Assinap). Há pelo menos um mês, o advogado
Domingos Sávio está orientando o PM e a mulher dele. Desde
que foi submetido a mais uma avaliação da junta médica
da Polícia Militar, depois de mais de dois anos com licenças
sendo renovadas, Paulo Roberto foi orientado a realizar exames de sangue
e cardiológicos, na última semana. Quem sabe a PM está
pensando em reformá-lo por problemas de saúde cardíacos?
O que assusta é que se Paulo Roberto, portador do vírus
HIV, voltar para as ruas trabalhando em sua função de
policial ativo, provavelmente sofrerá discriminação
de seus colegas de farda e da população. Segundo Paulo
Roberto, até mesmo em uma ocorrência de uma batida de trânsito
ele sofrerá preconceito. O próprio PM não entende
por quê tanta demora para reformá-lo. Apesar de a Aids,
doença que pode se manifestar em portadores de HIV, não
ser o caso dele, o fato de possuir uma doença infecciosa não
é suficiente para deixá-lo em casa e sob orientação
médica da corporação?
Mesmo depois de ter sido flagrado dormindo nas ruas, como um mendigo,
Paulo Roberto continua sem uma resposta de sua corporação.
No lugar onde dorme, na Rua do Peixe, em São Gonçalo,
só resta a companhia de um gato de estimação, também
morador de rua. Alimentos e roupas, ele estava recebendo de doações
de igrejas do município. Apesar de todas essas negativas, Paulo
e a mulher Urçula de Oliveira acreditam em uma solução
positiva para o drama, o quanto antes.
Se o descaso com Paulo Roberto persistir, o presidente da Assinap, Miguel
Cordeiro, vai mover uma ação judicial para que a junta
médica da PM justifique porque está demorando, mais de
dois anos, para reformar o policial militar. |