| Enquanto a população
se ressente da falta de segurança, o Poder Judiciário,
mais especificamente o Tribunal de Justiça, usa e abusa de militares
estaduais que deveriam estar nas ruas fazendo policiamento ostensivo
e preventivo.
Um efetivo que ultrapassa mil homens - mais que o do 5º BPM (Centro
- Harmonia) que é de 240 - fica zanzando de lá pra cá
dentro de gabinetes levando papéis, vigiando catracas ou fazendo
a segurança dos nobres magistrados.
Tudo isso com o dinheiro do contribuinte e com a aquiescência
do Poder Executivo, na pessoa do Governador Sérgio Cabral.
Segundo denúncia do Oficial de Justiça e Diretor de Imprensa
do Sind-Justiça, Francisco Fasano, só no Fórum
Central existem mais de 600 militares à paisana, entre oficiais
e praças, à disposição.
“Em cada comarca”, acrescenta Fasano, “existem de
3 a 10 PMs”. São 93 comarcas em todo estado.
Fazendo as contas, são mais MIL E DUZENTOS homens (600 do TJ
mais um média de 6 para cada comarca x 93 = 1258).
Profissionais que foram desviados de suas funções precípuas
pelo próprio governo para adular o Poder Judiciário. Os
militares são usados em funções que nem de longe
são atribuições policiais.
“Estão privatizando a segurança pública.
Terceirizam PMs para funções que nada lembram sua atividade-fim.
Por desleixos dessa magnitude, a gente vê que o Poder Executivo
está bem comprometido com o Poder Judiciário, e não
com a população”, analisa Miguel Cordeiro, presidente
da ASSINAP.
Será que os nobres juízes não sabem que desvio
de função de militares é inconstitucional? Para
Cordeiro, o Governo não precisava realizar novo concurso público
para PM, bastava chamar a tropa desviada de função. “Sabemos
que são mais de cinco mil. Eles estão na Alerj, na câmara
de vereadores, no Ministério Público, nas prefeituras
amigas, no gabinete do secretários de estado, e por aí
vai. O Ministério Público é o fiscal da Lei e não
fiscaliza. Será que temos que criar um órgão para
fiscalizar o MP?”, interroga Cordeiro. |
Apraz cumprimentar a ASSINAP pelo relevante trabalho que instituição
tem desempenhado pelos bombeiros e policiais. O jornal de junho desta
Associação trouxe em seu bojo matéria muito preocupante
sobre as assessorias jurídicas da PMERJ e do CBMERJ, que funcionam
de forma ilegal.
Todos sabemos que as ASSEJUR estão a serviço dos comandantes
gerais.
Ficam dúvidas: se é ilegal, e tem decisão judicial,
os oficiais que ali laboram com bacharelado em direito, sabem que
estão usurpando função que não lhes pertence.
Não é hora de acionar a OAB nacional? Enquadrar esses
oficiais perante a justiça militar?
Está tipificado uma série de irregularidades cometidas,
anulando todos os atos praticados. A decisão judicial também
não foi cumprida.
Entendo uma gama de atos ilícitos realizados pela instituição
em parceria com o Judiciário. Sim, pois o Judiciário
informa suas decisões às Assessorias Jurídicas,
ou seja, passam decisão judicial, a um orgão que não
existe. Todos os juízes sabem disso?
Assim sendo, prezados policiais e bombeiros devemos nos unir contra
mais essa irregularidade que temos dentro de nossas instituições
não reconhecendo seus atos e ajuizando ações
cíveis e criminais perante as autoridades competentes.
Edival Anchieta
Graduando em direito/UNESA
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