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à Segurança Pública, tomados como prioritários
no início do ano pelo governador, já caíram completamente
no esquecimento. Nada de revisão do Regulamento Disciplinar,
nada de carga horária determinada, nada de reposição
salarial.
Para desilusão de todos os policiais, a atenção
que o governador dizia ter com a área é apenas da boca
pra fora. Ele não está preocupado em aliviar a dureza
da profissão, dando melhores condições de trabalho,
visa apenas resultados.
O governo quer números, pouco importa se o policial que está
no meio do cerco, passa dificuldades em casa ou no seu próprio
batalhão. A absoluta maioria atravessa sérios problemas
financeiros e psicológicos.
Mais preocupado com os rumos da segurança pública é
o Governador de São Paulo, José Serra, que sancionou projeto
de lei concedendo até 23,43 de aumento salarial para mais de
125 mil policiais civis, militares e técnico-científico,
além de reajuste de 22,67% para delegados.
Desta forma, o salário inicial de um policial é de R$
1.999, retroativo a 1 de setembro, enquanto que no Rio é de R$
800!. Até parece piada.
O pacote de medidas para valorização da polícia
ainda conta com gratificação por local de exercício
e adicional operacional de localidade. Os policiais feridos no exercício
da atividade receberão salário integral.
A Gratificação por Atividade Policial (GAP) será
incorporada aos salários e pensões de mais de 175 mil
policiais ativos e inativos, em janeiro de 2008.
Vale atentar para o detalhe. A GAP de São Paulo é similar
à nossa GEAT, que embora a ASSINAP tenha ganho na Justiça,
o estado teima em não cumprir a sentença que já
foi transitada em julgado. No dia 22 de novembro, o TJ publicou despacho
determinando que o estado cumpra em 45 dias a decisão.
Não adianta dizer que o estado está falido, que estão
arrumando a máquina, entre outras frases cansadas de tão
conhecidas. O governador de São Paulo deve ter passado por problemas
ainda maiores, visto o tamanho do estado e o efetivo de suas polícias,
quase três vezes maior do que o estado do Rio.
O que faz a diferença é vontade política! A mesma
vontade que fez com que o governador do Rio destinasse R$ 41,9 milhões
para proteger sua família e a si mesmo, e R$ 6,25 milhões
para treinar pessoal nas penitenciárias.
Em resumo, de acordo com o recém-preparado PPA (Plano Plurianual)
2008-2011, até o final da atual gestão, o Estado deve
gastar 671% a mais com segurança de Cabral do que com a do sistema
carcerário do Rio, que abriga 22.800 presos. Perceberam a diferença
entre os governos?
Um pensa em dar segurança ao povo que o elegeu, o outro quer
cuidar apenas do próprio umbigo. No âmbito da Secretaria
de Administração Penitenciária existem 44 estabelecimentos,
entre presídios, penitenciárias, casas de custódia
e de albergados, colônia agrícola, hospitais, sanatório
e centro de tratamento de dependentes químicos.
Apesar do Estado do Rio ser o 2º mais rico do Brasil, a PMERJ tem
o pior salário de todas as PMs! O soldo do PM do Rio, um dos
estados mais violentos do Brasil, está abaixo do salário
mínimo.
Só podemos concluir que estamos no pior dos mundos. Sem aumento,
sem auto-estima, sem sonhos. Até quando? Temos pena da população
que paga caro para receber um serviço tão ruim como é
a segurança pública do estado do Rio de Janeiro.
Miguel Cordeiro
Presidente da ASSINAP