Regulamentos Disciplinares
com horas contadas
Assinap entrou na Justiça para anular os regulamentos
autoritários da PM e do Corpo de Bombeiros
Os regulamentos disciplinares da PM e do BM estão na mira da
ASSINAP. Na busca dos direitos de seus associados - bombeiros e policiais
militares ativos e inativos -, a Associação quer a anulação
das normas disciplinares, reconhecidamente de caráter autoritário
e que servem de base para punições dentro das cCorporações.
A ASSINAP impetrou em agosto um mandado de segurança junto
ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça para
que os decretos que regem os Regulamentos da PMERJ e da CBMERJ sejam
anulados e considerados inconstitucionais. As regras dos Regulamentos
só poderiam ser reguladas por Lei de iniciativa federal, e
neste caso, são decretos estaduais, ferindo dispositivos da
Nova Constituição Federal.
Os Regulamentos foram criados no período de 1979 a 1985, quando
se iniciava o processo de abertura política no País.
Mas mesmo assim, os regulamentos sofrem influência da ditadura
militar, ainda existente na época.
Já no período em foram elaborados, as normas deveriam
ter sido baixadas por Lei e não por decreto.
“Por terem sido criados sob o regime militar, ninguém
podia contestá-los e a situaçao foi ficando assim até
hoje. Os regulamentos são autoritários e desrespeitosos
com o policial e o bombeiro. Eles ficam à mercê do Comando
Geral, que detém amplos poderes”, explica Miguel Cordeiro,
Presidente da ASSINAP.
Os regulamentos violam princípios da Ampla Defesa, Contraditório
(direito das partes envolvidas se manifestarem), e da presunção
de inocência, em atitude não condizente com o Estado
de Direito.
Também há tratamento desumano e degradante, ao impingir
processamento e punição disciplinar ao militar ativo,
sem existir Lei formal federal, definindo e tipificando as transgressões,
bem como não estipulando normas processuais dos procedimentos
disciplinares dos militares estaduais.
“Não se pode admitir, em pleno 3º Milênio,
os resquícios abomináveis de práticas draconianas,
do Autoritarismo Medieval, do despotismo absolutista e da Inquisição”,
ressalta Domingos Sávio, do Corpo Jurídico da ASSINAP.