:: NOTÍCIAS

Rancho, que nada

Verba destinada à alimentação de policiais é desviada para compra de capim

Escândalos batem à porta da alta cúpula da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A tão mal falada refeição servida nos ranchos dos batalhões realmente tem um ingrediente pra lá de nocivo: desvio de verba.

O Presidente da Assinap, Miguel Cordeiro, descobriu um empenho da Diretoria Geral de Apoio Logístico (DGAL) da Polícia Militar de R$ 657 mil - destinados originalmente à alimentação de policiais - para compra de capim da empresa “A Capineira”. Também foram gastos R$ 737 mil para aquisição de forragem da “Agroceres”.

Tudo para alimentar os 184 cavalos do Batalhão da Polícia Montada, resultando num gasto diário de R$ 20 só com alimentação de cada animal. Já com o rancho dos praças, a PM tem uma despesa diária de R$ 1,72.

O uso de recursos da Caixa de Alimentação dificulta a fiscalização do uso do dinheiro, já que o pagamento não fica registrado no Sistema de Administração Financeiro do Estado (Siafem).

No total, os gastos com capim, forragem e ração passam de R$ 1,3 milhão, valor três vezes maior do que a quantia destinada à aquisição de pólvora, espoletas e projetéis, que foi de R$ 401 mil. O primeiro pedido para munição foi de R$ 79.834, e o segundo de R$ 321.841, comprados da empresa CBC.

O Comandante Geral da Corporação, Cel.PM Hudson Aguiar Miranda, garantiu que o processo será investigado pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Miguel Cordeiro rejeita a medida por achar que é preciso isenção.

“Esse é um processo que não pode ser feito por oficiais que integram a cúpula da Corporação. Defendo uma investigação externa das contas. Iremos protocolar no Ministério Público um pedido de abertura de Inquérito Civil para examinar os gastos da PM”, afirma Cordeiro.

Licitações sob suspeita

O relatório de licitações da DGAL - atualmente dirigida pelo Coronel PM Samuel Dias Dionisio - revela ainda que a PM destinou R$ 251 mil para contratação de bufês; R$ 22 mil para compra de flores e R$ 19.800 para conserto de apenas três aparelhos de ar condicionado a cargo da empresa Novo Clima. Maior espanto é que a mesma empresa orçou o fornecimento de 15 aparelhos novos por R$ 19.472, valor menor que o conserto dos três equipamentos.

“O Ministério Público tem que ser acionado para verificar as licitações da DGAL. É estranho quando se gasta mais na contratação de buffets (R$ 78 mil) do que na reforma de um batalhão, como o 4º BPM, em São Cristóvão (R$ 47 mil)”, confronta Cordeiro.

Há rumores na tropa que o Coronel Samuel possa vir a assumir o Comando Geral da PM, caso Sérgio Cabral seja eleito. Ui!

Repercussão na imprensa:
 
Veja trechos do documento sobre as licitações da DGAL