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milicias: incompetência do governo
Opinião da ASSINAP
Milícias: presente onde o Estado é ausente

E agora, o que fazer? Uma nova organização clandestina se fortalece no Rio de janeiro. Mas isto não acontece de hoje. Há mais de dez anos, as tais milícias começaram a se desenhar na cidade, sem que nada fosse feito por parte do Estado, através de suas corporações militares. Preferiram deixar correr frouxo. Quem sabe a bomba não estouraria na mão de outro?
O absurdo da matança e dos ataques a inocentes está acontecendo à luz do dia. Chegamos à era do “salve-se quem puder”, onde o crime é ostensivo e organizado, e a polícia é invisível e enfraquecida.
Na esteira da incompetência do Estado, a bandidagem foi se aprimorando e a polícia legalizada foi perdendo espaço. Espaço esse que foi sorrateiramente sendo ocupado pelas milícias, as tais organizações formadas por agentes da segurança pública e ex-policiais, com o suposto objetivo de varrer o crime nas comunidades que ocupam.
O fenômeno da formação das milícias tem origem na abjeta política de segurança pública do Estado do Rio de janeiro. Um sistema tão inútil que deixou a cidade se transformar num campo de batalha entre policiais, bandidos e civis.
Pesquisas demonstram que as milícias estão presentes em pelo menos 90 favelas da cidade. Nesses locais, em vez do policiamento oficial, as milícias ditam as regras e castigam quem sai da linha de comportamento traçada por eles.
Os milicianos se autodenominam defensores das comunidades, expulsando traficantes para criar uma falsa sensação de segurança. Em seguida, passam a cobrar taxas - através das respectivas associações de moradores - e a exigir participação nos lucros de negócios ilegais, como transmissão irregular de TV a cabo, a chamada “gato net”, venda de gás e exploração de vans clandestinas.
É claro que queremos o combate ao crime, mas o problema é a forma. O Estado tem que se fazer presente. Não podemos substituir um mal pelo outro, como acontece na ação das milícias, que se trata de uma organização tão ou mais opressora quanto a do crime organizado.