BANERJ é condenado
em primeira instância em causa movida pela ASSINAP
Antigo Banco Estadual do Rio de Janeiro - atual ITAÚ
- deverá pagar mais de R$ 10 mil a associado da ASSINAP
O associado Mário Marinho Villa, militar reformado, ganhou
em primeira instância o processo movido contra o Banco Banerj,
que foi vendido em 1997 ao Banco Itaú, portanto se tornando
responsável pela dívida. Mário decidiu processar
o Banerj através da ASSINAP por que se sentiu prejudicado e
discriminado por um gerente da agência onde tinha conta, no
município de São João de Meriti.
Ele era correntista da agência há mais de 30 anos, e
segundo o próprio Mário, nunca havia tido problemas,
até se deparar com um determinado gerente.
“Toda vez que eu precisava pegar um talão de cheque,
tinha que ficar implorando a este gerente ou então pegar talão
avulso no caixa eletrônico, pagando uma taxa. Eu argumentava
com ele que apesar de ter uma conta humilde, nunca havia voltado cheque
por não ter saldo bancário, mas não tinha jeito.
Por diversas vezes, só era liberado o cheque quando fazia uma
venda casada com um titulo de capitalização”,
relembra Mário.
Por se sentir prejudicado, o associado Mário resolveu ligar
para o “Disque-Reclamação” do banco denunciando
o ocorrido. Ao chegar à agência dias depois, o tal gerente
o tratou de forma descortês dizendo que foi advertido por causa
de sua queixa.
“A partir daí, passei a ser discriminado pela gerência”,
diz Mário, que começou a enfrentar dificuldades para
administrar sua conta.
“Antes, por diversas vezes, quando eu recebia cheques de terceiros
que voltavam, só precisava ligar para o banco pedindo a reapresentação,
que faziam imediatamente. Após o 'Disque-Reclamação',
eu pedia para reapresentar os cheques e a resposta era que eu precisava
ir pessoalmente, por que eram as regras do banco”, conta.
Os problemas não pararam por aí. Mário também
tentou abrir uma conta conjunta com sua mulher e também não
conseguiu por causa da série de obstáculos apresentados
pelo gerente.
Cheques devolvidos e desmoralização
com credores
Mas o pior aconteceu quando Mário, no giro
de suas atividades comerciais, emitiu três cheques no valor
R$ 3 mil (três mil reais), todos para a mesma data. O gerente
simplesmente não pagou os cheques, alegando que pensou que
o correntista Mário havia sido seqüestrado.
“Este pensamento não se justifica, pois a agência
possui três telefones de contato meus e não ligou para
nenhum. Já que ele pensou que eu havia sido seqüestrado,
por que não ligou? Além de tudo, foi omisso. Acabei
ficando desmoralizado com meus credores”, diz, indignado.
O que mais causou estranheza foi o fato deste mesmo gerente ter pago
alguns dias atrás um cheque assinado por Mário, no valor
de R$ 15 mil (quinze mil reais).
“A justificativa de seqüestro não procedia. Como
ele pagou dias antes um cheque com a mesma assinatura e com valor
cinco vezes maior?”, questiona.
A ASSINAP entrou com uma ação de indenização
na Comarca de Marica, que determinou em primeira instância o
pagamento de R$ 10.500, 00 (dez mil e quinhentos reais). O banco recorreu.
De acordo com advogados da ASSINAP, “a conduta do banco foi
abusiva, ilegal e violou frontalmente os direitos e princípios
consagrados no Código de Defesa do Consumidor”.