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Alerj cria CPI das Milícias

Alerj cria Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa (Alerj) para investigar a ação das milícias no estado. O presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), decidiu criar a CPI, após reunião com o autor da proposta, Marcelo Freixo (PSOL).

A tortura sofrida por equipe de reportagem de O DIA, cometida por milicianos da Favela da Batan, em Realengo, foi a gota d'água que levou a Mesa Diretora do Legislativo a desengavetar a comissão. O pedido havia sido feito por Freixo no dia 26 de fevereiro do ano passado.

COMPOSIÇÃO

Marcelo Freixo será o presidente, Gilberto Palmares (PT), o relator e o líder do governo e presidente do Conselho de Ética da Alerj, Paulo Melo (PMDB), um dos membros. Os outros dois serão definidos depois de reunião com as bancadas partidárias. Pedro Paulo (PSDB) e Paulo Ramos (PDT) já pleiteiam vaga.

Freixo explicou que sua intenção é contribuir com as investigações da polícia e do Ministério Público (MP) sobre os grupos paramilitares que agem em todo o estado. Freixo e Picciani garantiram que a CPI não deixará de investigar nenhuma denúncia, nem contra parlamentares.

Investigações da polícia apontam envolvimento de pelo menos três deputados e três vereadores cariocas com paramilitares. O presidente da Alerj disse, porém, não acreditar na suposta ligação do deputado Coronel Jairo (PSC) com milicianos. Jairo é o 1º vice-presidente da Alerj.

DEPUTADOS

Natalino (DEM) - Ele e o irmão, o vereador Jerominho (PMDB), são acusados de chefiar a milícia Liga da Justiça, que age na Zona Oeste do Rio. Natalino não foi preso por ser deputado e ter foro privilegiado.

Álvaro Lins (PMDB) - Assessores do deputado aparecem em escutas telefônicas da Polícia Federal, na Operação Segurança Pública S/A, negociando apoio de milicianos para a campanha de Lins em 2006.

Coronel Jairo (PSC) - Um suposto assessor do deputado, identificado como Betão, teria participado das torturas à equipe de O DIA na Favela do Batan. O parlamentar nega qualquer envolvimento.

VEREADORES

Jerominho (PMDB) - O vereador foi preso em dezembro, acusado de chefiar com o irmão, Natalino, a Liga da Justiça. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público Estadual por formação de quadrilha e bando armado.

Nadinho de Rio das Pedras (DEM) - O vereador chegou a ser preso em 2007, acusado de comandar milícia. Ele teria participado da morte de um policial civil, que seria líder de grupo de paramilitares.

Dr. Jairinho (PSC) - Filho de Coronel Jairo, o vereador também foi citado no inquérito e nega envolvimento. A polícia investiga um suposto assessor parlamentar que teria participado da tortura no Batan.

Nota da ASSINAP: esperamos que a CPI das milícias não seja apenas para justificar o salário dos deputados, mas que possa colaborar nas investigações e que leve posteriormente à punição aos culpados, especialmente se estes forem integrantes da casa.