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Alerj pode aprovar CPI da PM

 
A CPI da PM e o trenzinho de plástico

Por Gustavo de Almeida

O que parecia ser apenas um espasmo de indignação acabou se transformando em algo real e que pode tomar a agenda política da Segurança Pública este ano. A Assembléia Legislativa pode aprovar até o fim do mês o projeto do deputado Flávio Bolsonaro (PP), que cria a CPI da PM. Sim, isto mesmo que você leu. Na verdade, a comissão tem um nome-palavrão: Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar falhas no processo de ingresso, aprimoramento e promoção, bem como o emprego operacional do PM do Rio de Janeiro.

O capítulo promoção promete muitas emoções, na verdade, já que até o fim da semana saem os novos coronéis da PM. O parlamentar nesta quarta-feira enviará ofício ao comandante-geral da corporação, coronel Gilson Pitta, pedindo informações sobre fichas de movimentação de oficial, conceitos e ficha judiciária referentes aos tenentes-coronéis que compõem a promoção deste ano.

O improvável aconteceu: os deputados mostraram independência e 43 deles já assinaram o pedido. A quantidade de deputados é suficiente para propor mudanças até na Constituição Estadual.

Na justificativa, o parlamentar cita uma série de problemas de estrutura e vícios históricos: condução do processo seletivo, promoção, reciclagem e emprego operacional do efetivo da Corporação. O texto fala ainda sobre os policiais que mataram o menino João Roberto. Leia abaixo. Os grifos são meus:

"Com base nestas informações, a CPI buscará dados sobre as atividades dos policiais militares e de que forma são controladas, para que seja possível apurar as possíveis deficiências de formação e do emprego operacional do efetivo.

Durante o mês de julho de 2008, foram publicadas notícias, nos principais órgãos de comunicação, sobre ações desastrosas realizadas por policiais militares, que resultaram na morte de inocentes. Tal situação demonstra a realidade precária e caótica em que se encontra a segurança pública e, em especial, evidenciam as deficiências estruturais da Polícia Militar. Ações pirotécnicas resultaram em um grande número de vítimas fatais, tanto de policiais, quanto de civis inocentes.

O quadro contribui para a construção de uma imagem negativa da PMERJ, instituição que, na verdade, trabalha com grande esforço e sacrifício. Em virtude da aplicação inadequada do efetivo, de problemas de formação, baixos salários e condições inadequadas de trabalho, a imagem que se tem é de total abandono, verificando-se, como conseqüência, um afastamento gigantesco entre a Polícia Militar e a sociedade fluminense. (...) o objetivo desta CPI é abrir as portas do Quartel General da PM e permitir que nele entrem os representantes da sociedade - na busca de soluções que poderão reverter a atual tendência de descrédito da instituição e aproximá-la, uma vez mais, do cidadão comum, que passou a ter preconceito contra o policial sem conhecê-lo de perto.

Neste momento, toda a sociedade exterioriza sua desconfiança e repúdio contra os policiais que atiraram contra aquela mãe e seus dois filhos pequenos, como se em sua ação pudesse encerrar-se toda a cadeia de responsabilidade, de culpados, pelo desastre - para o qual contribuíram a omissão e os desmandos de sucessivos governos, que jamais trataram da segurança pública de forma séria e profissional."

A menos que as assinaturas de 43 deputados sejam apagadas, nada parece impedir o surgimento da CPI da PM.

E falando em Bolsonaro, nesta terça-feira ele se saiu com um discurso no plenário da Alerj em que revela um detalhe curioso dos critérios de premiação dos nossos policiais (o negrito é meu).

"O governo do Estado brinda os melhores colocados no curso de formação da seguinte forma: o primeiro colocado recebeu, das mãos do governador do Estado, o brilhante prêmio de uma TV CCE 21 polegadas; o segundo colocado, como recompensa por seu esforço, recebeu de brinde uma torradeira elétrica; e o terceiro colocado de um curso de formação de que participaram 433 soldados, recebeu um "kit infantil", do qual constava um trenzinho de plástico. Este é o tratamento que o governo estadual dá aos nossos policiais! O que esperar da nossa Polícia? "

Fonte: blog da Segurança, Dia on line