:: JORNAL ASSINAP - MARÇO / 07 - pág. 08
Polícia só pra ver

Policiais do MOVE passam 12 horas debaixo de sol ou da chuva, sem poder sair do posto, mesmo em caso de ocorrência; ASSINAP enviou notícia-crime à Comissão de Direitos Humanos da ALERJ e da OAB

Basta passar pela Linha Vermelha, Avenida Perimetral, ou até mesmo no Aterro do Flamengo. Eles vão estar lá debaixo da chuva ou do sol, mesmo sem condições humanas de trabalho. A população pode ter a falsa impressão que a presença dos policiais em tais vias serve para o combate real do crime, mas não é isso que acontece, pois os mesmos não podem sair em hipótese alguma de seus baseamentos, pois o objetivo é apenas a Operação Presença.
Os policiais são obrigados a cumprir escala de 12 horas, com intervalo de uma hora para almoço. Os baseamentos não possuem banheiros e, para satisfazer suas necessidades fisiológicas, os policiais improvisam com garrafas PET e sacos plásticos.
Para que sejam dadas melhores condições de trabalho a esses homens, a ASSINAP enviou uma notícia crime a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, percorreu a Linha Vermelha - do Fundão ao Túnel Rebouças, e parte da Perimetral - e pode ver a situação que esses policiais estão submetidos. Para evitar punições aos PMs, a ASSINAP não irá identificá-los.
Logo na primeira parada, no baseamento que fica relativamente próximo no Batalhão da Maré, os policiais improvisaram um banheiro com tábuas escoradas num pequeno arbusto. Este ponto, vale dizer, não é dos piores por que conta com uma cobertura de amianto para a viatura, mas mesmo assim, a temperatura ultrapassa facilmente os 40 graus.
Seguindo em frente, a próxima parada foi na altura da descida para São Cristóvão. A situação vai ficando calamitosa, pois não há sombra de espécie alguma, e os policiais agora ficam se espremendo debaixo de um guarda sol que foi posto “coincidentemente”, após reclamação da ASSINAP feita através do Jornal do Brasil.
Os policias, fatigados, estavam lá desde as 7 horas da manhã e a ordem era cumprir o turno de 12 horas, permanecendo até às 19h.
“Não está pior porque compramos uma garrafa térmica para manter a água gelada que também trazemos, e assim amenizar o calor”, comenta o policial.
A situação não foi muito diferente nos pontos próximos à Leopoldina e no Elevado Paulo de Frontin, próximo ao túnel Rebouças. Um dos policiais falou que já aconteceu assalto nas proximidades, mas não pode interceder. “Não tivemos autorização, e caso fossemos ajudar, poderíamos ser punidos ”, disse.
A ASSINAP também percorreu a Perimetral, em direção a Niterói, durante um dia de chuva. Estavam presentes policiais motociclistas, que rendiam seus companheiros para a hora do almoço. Podemos observar que a suposta proteção - um guarda sol - não funciona para os dias de sol, por ser muito estreito, nem para os dias chuva, pois não protege da forte ventania nestas rodovias. Os policiais também não portavam capa de chuva.
“Enquanto os policiais penam debaixo de altas temperaturas ou da chuva, os carros da supervisão, que geralmente são blazers com ar-condicionado, passam regularmente para ver como o PM está se portando. Caso estejam sentados ou com uniforme desarrumado, é quase certo que receberão alguma punição”, comenta Miguel.
Sugestão de funcionamento
Os próprios PMs sugeriram estratégias de ação menos exaustivas e mais funcionais. A solução seria disponibilizar duas viaturas para casa baseamento, sendo que uma fixa e a outra rodando durante duas horas. A cada duas horas, haveria a troca de viatura, e a que estava circulando torna-se fixa e vice-versa.
“Assim, todos trabalham melhor, e a população continuaria a ver a polícia na rua”, disse o policial.
A ASSINAP tentou falar com o Comandante do MOVE e do BPRV, mas até o fechamento desta matéria, não teve retorno. No entanto, a Associação está à disposição para receber e publicar a manifestação dos devidos comandos.