| Policiais do MOVE passam
12 horas debaixo de sol ou da chuva, sem poder sair do posto, mesmo
em caso de ocorrência; ASSINAP enviou notícia-crime à
Comissão de Direitos Humanos da ALERJ e da OAB
Basta passar pela Linha Vermelha, Avenida Perimetral, ou até
mesmo no Aterro do Flamengo. Eles vão estar lá debaixo
da chuva ou do sol, mesmo sem condições humanas de trabalho.
A população pode ter a falsa impressão que a presença
dos policiais em tais vias serve para o combate real do crime, mas não
é isso que acontece, pois os mesmos não podem sair em
hipótese alguma de seus baseamentos, pois o objetivo é
apenas a Operação Presença.
Os policiais são obrigados a cumprir escala de 12 horas, com
intervalo de uma hora para almoço. Os baseamentos não
possuem banheiros e, para satisfazer suas necessidades fisiológicas,
os policiais improvisam com garrafas PET e sacos plásticos.
Para que sejam dadas melhores condições de trabalho a
esses homens, a ASSINAP enviou uma notícia crime a Comissão
de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio
(Alerj) e para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, percorreu a Linha Vermelha
- do Fundão ao Túnel Rebouças, e parte da Perimetral
- e pode ver a situação que esses policiais estão
submetidos. Para evitar punições aos PMs, a ASSINAP não
irá identificá-los.
Logo na primeira parada, no baseamento que fica relativamente próximo
no Batalhão da Maré, os policiais improvisaram um banheiro
com tábuas escoradas num pequeno arbusto. Este ponto, vale dizer,
não é dos piores por que conta com uma cobertura de amianto
para a viatura, mas mesmo assim, a temperatura ultrapassa facilmente
os 40 graus.
Seguindo em frente, a próxima parada foi na altura da descida
para São Cristóvão. A situação vai
ficando calamitosa, pois não há sombra de espécie
alguma, e os policiais agora ficam se espremendo debaixo de um guarda
sol que foi posto “coincidentemente”, após reclamação
da ASSINAP feita através do Jornal do Brasil.
Os policias, fatigados, estavam lá desde as 7 horas da manhã
e a ordem era cumprir o turno de 12 horas, permanecendo até às
19h.
“Não está pior porque compramos uma garrafa térmica
para manter a água gelada que também trazemos, e assim
amenizar o calor”, comenta o policial.
A situação não foi muito diferente nos pontos próximos
à Leopoldina e no Elevado Paulo de Frontin, próximo ao
túnel Rebouças. Um dos policiais falou que já aconteceu
assalto nas proximidades, mas não pode interceder. “Não
tivemos autorização, e caso fossemos ajudar, poderíamos
ser punidos ”, disse.
A ASSINAP também percorreu a Perimetral, em direção
a Niterói, durante um dia de chuva. Estavam presentes policiais
motociclistas, que rendiam seus companheiros para a hora do almoço.
Podemos observar que a suposta proteção - um guarda sol
- não funciona para os dias de sol, por ser muito estreito, nem
para os dias chuva, pois não protege da forte ventania nestas
rodovias. Os policiais também não portavam capa de chuva.
“Enquanto os policiais penam debaixo de altas temperaturas ou
da chuva, os carros da supervisão, que geralmente são
blazers com ar-condicionado, passam regularmente para ver como o PM
está se portando. Caso estejam sentados ou com uniforme desarrumado,
é quase certo que receberão alguma punição”,
comenta Miguel.
Sugestão de funcionamento
Os próprios PMs sugeriram estratégias de ação
menos exaustivas e mais funcionais. A solução seria disponibilizar
duas viaturas para casa baseamento, sendo que uma fixa e a outra rodando
durante duas horas. A cada duas horas, haveria a troca de viatura, e
a que estava circulando torna-se fixa e vice-versa.
“Assim, todos trabalham melhor, e a população continuaria
a ver a polícia na rua”, disse o policial.
A ASSINAP tentou falar com o Comandante do MOVE e do BPRV, mas até
o fechamento desta matéria, não teve retorno. No entanto,
a Associação está à disposição
para receber e publicar a manifestação dos devidos comandos.
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