:: JORNAL ASSINAP - MARÇO / 07 - pág. 05
Missa em memória de policiais mortos reúne mais de 400 pessoas
O governador Sérgio Cabral participou da missa em memória dos 38 policiais mortos neste ano, celebrada pelo bispo auxiliar do Rio de janeiro, dom Dimas Lara Barbosa, na Igreja da Candelária, centro do Rio. Este ano, morreram 38 policiais, sendo 32 militares e seis civis. Dos PMs, 10 foram mortos em serviço, sendo nove em confronto e um de enfarto. Os demais morreram durante a folga, por razões diversas, sendo a maioria em conseqüência de reação a assaltos ou executados por bandidos.
Após a cerimônia, que foi solicitada pela Secretaria de Estado de Segurança, o governador anunciou a contratação de dois mil policiais a partir de outubro. Segundo Cabral, o concurso será feito por região.
“Estamos analisando a demanda e a carência de policiais em cada região do estado. Muitas vezes, uma pessoa passa em um concurso numa região e, por morar distante, não quer ficar ali. Por isso, quando se inscrever, ele vai assinar um documento se comprometendo a servir naquela região”, detalhou.
Cabral disse ainda que serão tomadas medidas para reforçar a luta contra a criminalidade, como a convocação de investigadores da Polícia Civil concursados no ano passado e o reforço do contingente de batalhões onde a incidência de crimes é maior. O governador também pediu o apoio da população para o trabalho da polícia.
“Esta é a reflexão que esta missa traz. Dom Dimas falou com muita propriedade: a sociedade precisa apoiar os policiais que trabalham nas ruas. É uma profissão muito dura e, às vezes, incompreendida. Mas, é com uma polícia fortalecida que teremos uma sociedade mais tranqüila”, ressaltou.
Paralelamente aos investimentos em ações sociais, educação, saúde e saneamento básico para melhorar o nível de vida da população, Cabral disse que o Estado não pode dar trégua aos criminosos e mostrou-se indignado com o assassinato de um turista francês em Japeri, durante assalto na Via Dutra.
“Esse turista e seus amigos vieram ao nosso país para trazer uma mensagem de paz e cultura, tocando música e levando alegria às pessoas. Aí, vêm dois criminosos sem coração e disparam uma arma contra a pessoa porque ela estava fechando o vidro do carro. É chocante e abala a todos”, enfatizou.
Segundo o governador, a missa serviu para levar as pessoas a refletirem sobre a banalização da vida, com o assassinato de cidadãos civis inocentes e de policiais, em serviço ou não.
A missa foi assistida por mais de 400 pessoas, entre elas o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Ubiratan Ângelo, e o chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, além de familiares das vítimas, policiais civis e militares e parlamentares. Em sua pregação, o bispo disse que a responsabilidade pela segurança não é somente do Estado e que a sociedade civil também luta em várias frentes pela paz no Rio de Janeiro.
Durante a missa, o secretário de Segurança ainda dirigiu uma mensagem aos policiais e familiares das vítimas presentes, lamentando as mortes ocorridas este ano, mas ressaltando o heroísmo dos profissionais e confessando o orgulho pela dedicação dessas pessoas à profissão que escolheram.
“É preciso ter indignação contra a barbárie. A capacidade de nos indignarmos contra a estupidez desses criminosos é que nos mantém na luta, sem jamais perder a esperança de vencê-la. Só assim a morte desses e de outros policiais não será em vão. Vamos apoiar os policiais que ainda continuam nas ruas, acreditando sempre num futuro melhor”, pregou Beltrame.

Sem pensão provisória
Lá se passaram seis meses e nada da viúva Vânia Maria Damásio Cardoso receber a pensão provisória a que tem direito, por ter vivido por 28 anos com o sargento PM inativo Joaquim Antonio Abissulo.
“Eu preciso da certificação de união estável para poder dar entrada na pensão na DIP, mas em Sulacap eles não me dão previsão de nada”, diz.
Enquanto isso, a viúva passa dificuldades, amontoando dívidas.
“Minha vida está um tormento, uma bola de neve, pois não consigo arcar com meus compromissos. O que eles estão fazendo é uma maldade. Além de minha pensão, eles deviam pagar o dano moral que estou sofrendo por causa do atraso deles em me dar uma coisa que é meu direito. Só a ASSINAP está me ajudando neste momento tão difícil ”, desabafa a viúva.
A ASSINAP deu entrada na ação para receber a pensão.