| A sessão solene
em comemoração aos 198 anos da PM na Alerj não
ficou só nos confetes. Diante de um plenário lotado de
oficiais e praças, além da presença do Comandante
Geral da PMERJ, Ubiratan Ângelo, os deputados Paulo Ramos, Bolsonaro
e Cel. Jairo aproveitaram a oportunidade para criticar a corporação.
Os discursos tinham algo em comum: a forma como a PM trata seus integrantes,
especialmente as praças.
O deputado Paulo Ramos - major reformado - se referiu à Operação
Tinguí, realizada pela Policia Federal, para cassar traficantes
na favela do Muquiço. A Operação resultou em diversos
PMs presos no BEP, mesmo sem indícios de envolvimento em crime.
“Durante os últimos cinco meses, já passaram cinco
juizes e nenhum policial militar ainda foi julgado. Eles foram presos
sem ao menos terem indícios de envolvimento, quanto mais provas.
Além disso, enquanto os policiais estão presos no BEP,
o traficante da área está solto. Os policiais têm
o direito de aguardar julgamento em um batalhão digno, e não
no BEP, que é uma excrescência. Mas a PM, não sei
por que os mantém lá”, disse, Paulo Ramos, exaltado.
PMs celibatários
Paulo Ramos continuou mexendo na ferida, desta vez, em relação
aos salários.
“Acredito que a PM deveria exigir o celibato dos candidatos a
praças, pois não há condição de sustentar
uma família com o salário que recebem. É impossível
falar em melhoria de segurança pública sem dar melhores
condições de vida a este homem”, disse o deputado,
acrescentando que “se a Polícia Militar não se reformular
corre o risco de desaparecer”, afirmação que gerou
um certo descontentamento nos militares presentes.
RDPM na mira
Na trilha das críticas, o deputado
Flávio Bolsonaro pediu para que a PM acelere o processo de reformulação
do Regulamento Disciplinar e passe a tratar melhor aqueles policiais
que ficam na linha de frente.
“Sempre que passo pela Linha Vermelha, Perimetral ou Aterro, gosto
de parar para conversar com os policiais que ali trabalham. Eles ficam
nas rodovias quase como alvos fixos, durante 12 horas por dia. Além
dos salários, o grande clamor é a revisão urgente
do RD, que muitas vezes consegue ser mais cruel do que os bandidos”,
relatou.
Reflexão e medalha
Deputado Coronel Jairo, por sua vez, deixou uma reflexão: “a
quem interessa ligar a policia e o professor à pobreza?”
Segundo o deputado, existem muitos arautos em segurança pública,
e a PM está cada vez mais fragilizada. Ele também propôs
a criação da medalha “Defensor da Sociedade”,
exclusiva para policiais militares.
“O policial precisa ser valorizado em todos os sentidos. Chega
de demagogia, o salário é o mais importante, sim. Gostaria
também de propor a criação de uma medalha para
que possamos homenagear nossos heróis policiais vivos”,
ressaltou. |
| Salva-vidas que atuam
na praia de Barra de São João, em Cabo Frio, não
contam com estrutura devida para exercer seu trabalho. Morador da área,
um dos diretores da ASSINAP, Gilson Gil - bombeiro reformado -, observou
que o posto do bombeiro foi construído pelos próprios
salva-vidas com madeira e telha de amianto.
“Antes, eles trabalhavam na areia, mas ainda não possuem
binóculos nem rádio. Não contam nem com um quadriciclo,
enquanto que na praia do Forte, os bombeiros possuem vários”,
relata Gil. O grupo de Barra de São João - composto por
três salva-vidas por turno - é responsável por cerca
de 30 quilômetros de areia, entre o Canal da Barra - onde existe
um alto índice de afogamento devido à correnteza -, até
a Praia Rosa.
“É uma área muito grande para um grupo tão
pequeno. Eles estão sobrecarregados e se locomovem em meios próprios”,
afirma.
Gilson ainda alerta para o risco que a população de Barra
de São João está correndo, pois praia também
não conta com posto de ressucitamento.
“Os casos mais graves são levados ao hospital da prefeitura.
Já vi realizarem a fiscalização dentro da água
em barcos de pescadores. O mais curioso é que em praias próximas
como Peró, das Conchas e das Dunas, áreas consideradas
nobres. o posto do bombeiro é bem equipado. Será que estão
agindo com discriminação em relação aos
freqüentadores da praia de Barra de São João?”,
questiona Gil.
Vale a pergunta: para onde está indo o dinheiro da taxa de incêndio
destinada à compra de equipamentos? |
| A ASSINAP conseguiu que
o recurso pleiteando o acesso aos boletins reservados da Polícia
Militar e do Corpo dos Bombeiros tenha seguimento em Tribunal Superior
em Brasília.
A Associação quer ter o direito de receber tais boletins
para a defesa de seus associados em processos administrativos. Nas duas
corporações existem dois tipos de boletins, o coletivo
divulgado em todos os batalhões e o reservado, ao qual só
a P2 e o Comando Geral têm acesso.
“Não estamos pedindo divulgação ostensiva
como acontece com o boletim coletivo, mas precisamos ter acesso ao boletim
reservado para diminuir injustiças. Nas duas corporações,
oficiais e praças são tratados de forma desigual até
na hora da divulgação e do acesso à informação.
Todos são iguais perante a Lei, mas parece que uns são
mais iguais que outros”, diz Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP. |