:: JORNAL ASSINAP - MAIO - JUNHO / 07 - PÁG. 08
 
Críticas na solenidade de 198 anos da PM na Alerj
De Operaçao Tinguí a RDPM, deputados soltaram o verbo
A sessão solene em comemoração aos 198 anos da PM na Alerj não ficou só nos confetes. Diante de um plenário lotado de oficiais e praças, além da presença do Comandante Geral da PMERJ, Ubiratan Ângelo, os deputados Paulo Ramos, Bolsonaro e Cel. Jairo aproveitaram a oportunidade para criticar a corporação. Os discursos tinham algo em comum: a forma como a PM trata seus integrantes, especialmente as praças.
O deputado Paulo Ramos - major reformado - se referiu à Operação Tinguí, realizada pela Policia Federal, para cassar traficantes na favela do Muquiço. A Operação resultou em diversos PMs presos no BEP, mesmo sem indícios de envolvimento em crime.
“Durante os últimos cinco meses, já passaram cinco juizes e nenhum policial militar ainda foi julgado. Eles foram presos sem ao menos terem indícios de envolvimento, quanto mais provas. Além disso, enquanto os policiais estão presos no BEP, o traficante da área está solto. Os policiais têm o direito de aguardar julgamento em um batalhão digno, e não no BEP, que é uma excrescência. Mas a PM, não sei por que os mantém lá”, disse, Paulo Ramos, exaltado.

PMs celibatários

Paulo Ramos continuou mexendo na ferida, desta vez, em relação aos salários.
“Acredito que a PM deveria exigir o celibato dos candidatos a praças, pois não há condição de sustentar uma família com o salário que recebem. É impossível falar em melhoria de segurança pública sem dar melhores condições de vida a este homem”, disse o deputado, acrescentando que “se a Polícia Militar não se reformular corre o risco de desaparecer”, afirmação que gerou um certo descontentamento nos militares presentes.

RDPM na mira

Na trilha das críticas, o deputado Flávio Bolsonaro pediu para que a PM acelere o processo de reformulação do Regulamento Disciplinar e passe a tratar melhor aqueles policiais que ficam na linha de frente.
“Sempre que passo pela Linha Vermelha, Perimetral ou Aterro, gosto de parar para conversar com os policiais que ali trabalham. Eles ficam nas rodovias quase como alvos fixos, durante 12 horas por dia. Além dos salários, o grande clamor é a revisão urgente do RD, que muitas vezes consegue ser mais cruel do que os bandidos”, relatou.

Reflexão e medalha

Deputado Coronel Jairo, por sua vez, deixou uma reflexão: “a quem interessa ligar a policia e o professor à pobreza?” Segundo o deputado, existem muitos arautos em segurança pública, e a PM está cada vez mais fragilizada. Ele também propôs a criação da medalha “Defensor da Sociedade”, exclusiva para policiais militares.
“O policial precisa ser valorizado em todos os sentidos. Chega de demagogia, o salário é o mais importante, sim. Gostaria também de propor a criação de uma medalha para que possamos homenagear nossos heróis policiais vivos”, ressaltou.


Morrendo na praia...
Salva-vidas que atuam na praia de Barra de São João, em Cabo Frio, não contam com estrutura devida para exercer seu trabalho. Morador da área, um dos diretores da ASSINAP, Gilson Gil - bombeiro reformado -, observou que o posto do bombeiro foi construído pelos próprios salva-vidas com madeira e telha de amianto.
“Antes, eles trabalhavam na areia, mas ainda não possuem binóculos nem rádio. Não contam nem com um quadriciclo, enquanto que na praia do Forte, os bombeiros possuem vários”, relata Gil. O grupo de Barra de São João - composto por três salva-vidas por turno - é responsável por cerca de 30 quilômetros de areia, entre o Canal da Barra - onde existe um alto índice de afogamento devido à correnteza -, até a Praia Rosa.
“É uma área muito grande para um grupo tão pequeno. Eles estão sobrecarregados e se locomovem em meios próprios”, afirma.
Gilson ainda alerta para o risco que a população de Barra de São João está correndo, pois praia também não conta com posto de ressucitamento.
“Os casos mais graves são levados ao hospital da prefeitura. Já vi realizarem a fiscalização dentro da água em barcos de pescadores. O mais curioso é que em praias próximas como Peró, das Conchas e das Dunas, áreas consideradas nobres. o posto do bombeiro é bem equipado. Será que estão agindo com discriminação em relação aos freqüentadores da praia de Barra de São João?”, questiona Gil.
Vale a pergunta: para onde está indo o dinheiro da taxa de incêndio destinada à compra de equipamentos?

Abrindo a caixa preta
ASSINAP quer acesso aos boletins reservados
A ASSINAP conseguiu que o recurso pleiteando o acesso aos boletins reservados da Polícia Militar e do Corpo dos Bombeiros tenha seguimento em Tribunal Superior em Brasília.
A Associação quer ter o direito de receber tais boletins para a defesa de seus associados em processos administrativos. Nas duas corporações existem dois tipos de boletins, o coletivo divulgado em todos os batalhões e o reservado, ao qual só a P2 e o Comando Geral têm acesso.
“Não estamos pedindo divulgação ostensiva como acontece com o boletim coletivo, mas precisamos ter acesso ao boletim reservado para diminuir injustiças. Nas duas corporações, oficiais e praças são tratados de forma desigual até na hora da divulgação e do acesso à informação. Todos são iguais perante a Lei, mas parece que uns são mais iguais que outros”, diz Miguel Cordeiro, presidente da ASSINAP.