| Enquanto oficiais
e praças do Corpo de Bombeiro permanecem em silêncio, por
desconhecimento ou desinteresse, corre em Brasília uma Proposta
de Emenda Constitucional vinda do governo que, se aprovada, mudará
radicalmente com a estrutura e o funcionamento da Corporaçaõ
em todo país. A emenda dará poderes para que cada município
crie seu próprio corpo de bombeiro, desvinculando totalmente
a corporação do estado, inclusive no que se refere à
remuneração.
A ASSINAP está preocupada com o tema, mas não sabe se
deve lutar contra ou favor da proposta, pois a corporação
não se pronuncia a respeito e não se abre para discussão.
Para o Presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, oficiais e praças
têm a mesma parcela de responsabilidade em relação
à instituição, só que os primeiros não
se abrem para o diálogo, e os segundos não forçam
a discussão.
“Parece que os oficiais do Bombeiro preferem ficar entre muros
discutindo assuntos internos e arrumando picuinhas. Já as praças
se comportam de forma alienada. Só que, enquanto ambos continuam
com essa conduta omissiva, a instituição está sendo
ameaçada e eles nem percebem. Um belo dia, eles irão saber
pelos jornais que o bombeiro militar deixou de existir, e vai ser tarde
demais”, alerta Cordeiro.
Ainda segundo Cordeiro, os integrantes do bombeiro só se preocupam
com interesses pessoais, e a coisa piora quando se fala nos bombeiros
à disposição de políticos e autoridades.
“Os bombeiros que estão trabalhando com políticos
e pessoas influentes sequer utilizam essa proximidade para lutar por
melhorias para a Corporação, só pensam em vantagens
para si mesmos”, dispara.
A Emenda pode passar facilmente devido ao quase nulo envolvimento da
Corporação com a causa. Num futuro próximo, é
quase certo os municípios criarem suas próprias unidades.
Afinal, qual cidade não teria interesse em recolher a taxa de
incêndio, como também fazer uso político da unidade
para negociação de cargos?
Perdas salariais
No novo modelo, nenhum oficial ou praça
será preservado. Com o tempo, haverá extinção
do quadro, mesmo estando na inatividade. Os oriundos da corporação
ficarão órfaos e sem referencial para caso de reajuste
salarial. A tendência é a estagnação e perda
de poder aquisitivo.
“Os oficiais se acham intocáveis e deixam o barco correr.
Mas o praças também não lutam pela categoria. Acabaram
de perder status no novo governo ao estarem subordinados agora a um
médico e o que fizeram? Nada, apenas aceitaram calados”,
critica Cordeiro.
Plano de remuneração diferenciada
Além da Proposta de Emenda, existe
ainda um movimento para criação de uma lei de remuneração
diferenciada da Polícia Militar.
Acostumados a sempre se beneficiarem com as conquistas da PM, desta
vez o Corpo de Bombeiros corre o risco de ficar com a sacola vazia.
A PM vem lutando para equiparar o salário do coronel com a de
delegado da Polícia Civil. A lei de remuneração
desvinculada acarretaria em menor impacto na folha de pagamentos do
Estado, facilitando sua consolidação.
“Desde o início do ano, buscamos conversar com o Comando
do Bombeiro, mas não conseguimos. Fomos atendidos pelo secretário
do Comandante, Cel. BM Simões, e informamos o que vem acontecendo,
mas até hoje, a corporação se encontra omissa e
não se pronunciou. Eles se fecham demais”, ressalta Miguel. |
| Justiça. Esta
é a palavra de ordem do Movimento de Familiares de Policias Inocentes
(Mofapi), formado apenas por mulheres que possuem parentesco com os
militares presos por causa da Operação Tinguí,
realizada pela Polícia Federal (PF). Segundo elas, muitos detidos
são inocentes e, mesmo assim, estão há mais de
cinco meses no BEP (Batalhão Especial Prisional), a espera de
julgamento.
“Queremos justiça, apenas. Queremos que aconteça
o julgamento para que os culpados sejam punidos e que os inocentes saiam
da prisão o mais rápido possível”, implora
a senhora Dinair de Castro Ferreira, mãe de um policial apanhado
pela operação.
Desde dezembro de 2006, época da Operação, os presos
foram ouvidos pelos juizes, mas ainda não há data para
o julgamento. No entanto, o traficante da área aguarda julgamento
em liberdade. De acordo com o Mofapi, alguns policiais já se
suicidaram no BEP por desenvolverem graves problemas psicológicos.
O deputado estadual Paulo Ramos - major reformado - questionou a prisão
desses policiais militares durante sessão na Alerj pelos 198
da Corporação.
“O que a PM está fazendo com estes homens é um absurdo.
Muitos estão presos sem ter havido sequer indícios de
envolvimento”, diz.
A Operação Tinguí buscou criminosos envolvidos
com tráfico de armas e técnicas de guerrilha dentro da
favela do Muquiço. “Não achamos errado repreender
a corrupção, porém a PF e dirigentes da Polícia
Militar do Estado prenderam, acusaram e denegriram a imagem de muitos
policiais honestos e estão tratando estes homens como bandidos”,
dizem as mulheres.
Ainda de acordo com o grupo, os policiais federais fizeram uso de abuso
de poder, como também deixaram de averiguar quem seriam os culpados.
“Muitos nem estavam na escala de trabalho ou estavam de férias,
e outros, como o GPS indica, estavam fora da área de acusação.
Em muitos casos, não existe nenhuma prova material”, argumentam.
Já passaram cinco juizes, e todos os interrogatórios foram
realizados, mas o processo ainda não foi desmembrado.
“Parece que existe um interesse em mantê-los presos, para
que não possam abrir processos contra o estado por danos morais
e vidas invadidas injustamente. Nós só queremos que nossos
maridos, pais e filhos PMs acusados injustamente e sem provas voltem
para casa e que o estado devolva a eles a vontade de exercer sua função
com dignidade”, diz o grupo. |