:: JORNAL ASSINAP - MAIO - JUNHO / 07 - PÁG. 05
 
Bombeiros na fogueira
Emenda constitucional pode extinguir corpos de bombeiros militares estaduais. Enquanto proposta tramita em Brasília, corporação não se pronuncia nem contra nem a favor
Enquanto oficiais e praças do Corpo de Bombeiro permanecem em silêncio, por desconhecimento ou desinteresse, corre em Brasília uma Proposta de Emenda Constitucional vinda do governo que, se aprovada, mudará radicalmente com a estrutura e o funcionamento da Corporaçaõ em todo país. A emenda dará poderes para que cada município crie seu próprio corpo de bombeiro, desvinculando totalmente a corporação do estado, inclusive no que se refere à remuneração.
A ASSINAP está preocupada com o tema, mas não sabe se deve lutar contra ou favor da proposta, pois a corporação não se pronuncia a respeito e não se abre para discussão. Para o Presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro, oficiais e praças têm a mesma parcela de responsabilidade em relação à instituição, só que os primeiros não se abrem para o diálogo, e os segundos não forçam a discussão.
“Parece que os oficiais do Bombeiro preferem ficar entre muros discutindo assuntos internos e arrumando picuinhas. Já as praças se comportam de forma alienada. Só que, enquanto ambos continuam com essa conduta omissiva, a instituição está sendo ameaçada e eles nem percebem. Um belo dia, eles irão saber pelos jornais que o bombeiro militar deixou de existir, e vai ser tarde demais”, alerta Cordeiro.
Ainda segundo Cordeiro, os integrantes do bombeiro só se preocupam com interesses pessoais, e a coisa piora quando se fala nos bombeiros à disposição de políticos e autoridades.
“Os bombeiros que estão trabalhando com políticos e pessoas influentes sequer utilizam essa proximidade para lutar por melhorias para a Corporação, só pensam em vantagens para si mesmos”, dispara.
A Emenda pode passar facilmente devido ao quase nulo envolvimento da Corporação com a causa. Num futuro próximo, é quase certo os municípios criarem suas próprias unidades. Afinal, qual cidade não teria interesse em recolher a taxa de incêndio, como também fazer uso político da unidade para negociação de cargos?

Perdas salariais

No novo modelo, nenhum oficial ou praça será preservado. Com o tempo, haverá extinção do quadro, mesmo estando na inatividade. Os oriundos da corporação ficarão órfaos e sem referencial para caso de reajuste salarial. A tendência é a estagnação e perda de poder aquisitivo.
“Os oficiais se acham intocáveis e deixam o barco correr. Mas o praças também não lutam pela categoria. Acabaram de perder status no novo governo ao estarem subordinados agora a um médico e o que fizeram? Nada, apenas aceitaram calados”, critica Cordeiro.

Plano de remuneração diferenciada

Além da Proposta de Emenda, existe ainda um movimento para criação de uma lei de remuneração diferenciada da Polícia Militar.
Acostumados a sempre se beneficiarem com as conquistas da PM, desta vez o Corpo de Bombeiros corre o risco de ficar com a sacola vazia.
A PM vem lutando para equiparar o salário do coronel com a de delegado da Polícia Civil. A lei de remuneração desvinculada acarretaria em menor impacto na folha de pagamentos do Estado, facilitando sua consolidação.
“Desde o início do ano, buscamos conversar com o Comando do Bombeiro, mas não conseguimos. Fomos atendidos pelo secretário do Comandante, Cel. BM Simões, e informamos o que vem acontecendo, mas até hoje, a corporação se encontra omissa e não se pronunciou. Eles se fecham demais”, ressalta Miguel.

 

Operação “Tinguí” e a PM
Mães, esposas e filhas de policiais militares se unem para pedir celeridade no julgamento de presos da Operação Tinguí
Justiça. Esta é a palavra de ordem do Movimento de Familiares de Policias Inocentes (Mofapi), formado apenas por mulheres que possuem parentesco com os militares presos por causa da Operação Tinguí, realizada pela Polícia Federal (PF). Segundo elas, muitos detidos são inocentes e, mesmo assim, estão há mais de cinco meses no BEP (Batalhão Especial Prisional), a espera de julgamento.
“Queremos justiça, apenas. Queremos que aconteça o julgamento para que os culpados sejam punidos e que os inocentes saiam da prisão o mais rápido possível”, implora a senhora Dinair de Castro Ferreira, mãe de um policial apanhado pela operação.
Desde dezembro de 2006, época da Operação, os presos foram ouvidos pelos juizes, mas ainda não há data para o julgamento. No entanto, o traficante da área aguarda julgamento em liberdade. De acordo com o Mofapi, alguns policiais já se suicidaram no BEP por desenvolverem graves problemas psicológicos.
O deputado estadual Paulo Ramos - major reformado - questionou a prisão desses policiais militares durante sessão na Alerj pelos 198 da Corporação.
“O que a PM está fazendo com estes homens é um absurdo. Muitos estão presos sem ter havido sequer indícios de envolvimento”, diz.
A Operação Tinguí buscou criminosos envolvidos com tráfico de armas e técnicas de guerrilha dentro da favela do Muquiço. “Não achamos errado repreender a corrupção, porém a PF e dirigentes da Polícia Militar do Estado prenderam, acusaram e denegriram a imagem de muitos policiais honestos e estão tratando estes homens como bandidos”, dizem as mulheres.
Ainda de acordo com o grupo, os policiais federais fizeram uso de abuso de poder, como também deixaram de averiguar quem seriam os culpados.
“Muitos nem estavam na escala de trabalho ou estavam de férias, e outros, como o GPS indica, estavam fora da área de acusação. Em muitos casos, não existe nenhuma prova material”, argumentam.
Já passaram cinco juizes, e todos os interrogatórios foram realizados, mas o processo ainda não foi desmembrado.
“Parece que existe um interesse em mantê-los presos, para que não possam abrir processos contra o estado por danos morais e vidas invadidas injustamente. Nós só queremos que nossos maridos, pais e filhos PMs acusados injustamente e sem provas voltem para casa e que o estado devolva a eles a vontade de exercer sua função com dignidade”, diz o grupo.