| Um flagrante de desrespeito
e falta de humanidade. Pessoas que por sua condição física,
deveriam ter um tratamento especial, sofrem em longas filas expostas
ao sol e chuva para receber, parceladamente, pecúlios que deveriam
ser pagos de uma única vez. O calvário se repete a cada
início de mês, transformando a Avenida Visconde de Rio
Branco (centro do Rio) numa calamidade.
Pessoas idosas e com problemas de saúde são obrigadas
a enfrentar duas filas, uma para pegar a senha de atendimento, e outra
para receber a parcela de R$ 100,00. Valor este instituído arbitrariamente
pela CBPMERJ, sem qualquer respaldo legal, alegando não receber
verba do estado. Muitos associados que, no passado, eram obrigados a
ter desconto compulsório, por determinação do estado,
hoje estão largados pela instituição. Eles chegam
de madrugada de lugares distantes para garantir um vaga na fila e encontram
a porta da instituição fechada, sem que possam sequer
beber água ou usar o banheiro. Algumas vezes, a CBPMERJ distribui
cestas básicas, gerando ainda mais revolta. Afinal se não
existe verba para o pagamento, de onde vem o dinheiro para a compra
das cestas básicas?
O que já é ruim ainda pode piorar, pois o setor de benefícios
da CBPMERJ, em breve, vai mudar para Madureira. O Maior desrespeito
acontece com o denominado beneficio “auxílio-invalidez”.
Muitos dos associados inválidos, total e permanentemente para
todo e qualquer trabalho, que necessitam de cuidados médicos
com freqüência vêm sofrendo com constantes diminuições
no benefício. Os cortes, que violam a lei, chegando a ultrapassar
50% do real valor. Ou seja, mais da metade do auxílio vêm
deixando de ser paga.
Vários PMs, como os militares reformados Denílson da Silva
Soares e Washington Luis Alves, procuraram a ASSINAP e conseguiram na
justiça condenar a CBPMERJ a pagar o valor total do beneficio
de uma única vez. O descumprimento da sentença acarreta
em multa e conseqüente penhora de valores até mesmo da receita. |
Há quatro anos,
o subtenente PM Hegnaldo Odair dos Santos vem passando por um verdadeiro
martírio para conseguir a aposentadoria ao qual tem direito.
Em 2001, ele começou a exercer a função de chefe
de oficina do 25 º BPM, em Cabo Frio, um trabalho considerado pesado
por requerer grande esforço físico. Ele desempenhava funções
inerentes aos mecânicos na troca e reposição de
peças de autos.
No decorrer do trabalho, começou a sentir dores na coluna lombar.
Porém, por achar que as dores iriam cessar com a ingestão
de analgésicos, continuou com afinco suas tarefas, fato confirmado
pelo próprio oficial superior Major PM Vollmer, na época
chefe da P/4. Hegnaldo foi encaminhado para tratamento médico
no Hospital da PM em Niterói, onde foi posto em situação
de Incapacidade Físico Parcial (IFP), retornando às suas
atividades normais, porém sem fazer os esforços físicos
anteriormente exigidos.
No entanto, em abril de 2003, ele sofreu um acidente no interior da
garagem da OPM, que resultou em duas cirurgias na lombar com a fixação
de quatro parafusos na região.
Mas mesmo assim, a Junta Superior de Saúde não considerou
o atestado sanitário de origem - requerido pelo então
comandante Cel. Hudson - como causa determinante para a Incapacidade
Física Definitiva do subtenente.
“Estou sendo prejudicado em todos os sentidos. Tenho provas que
meu atual estado de saúde foi gerado quando estava em serviço
na PM. Até 2001, nunca havia sofrido qualquer problema em relação
à minha coluna nem nunca havia ido ao hospital da Corporação.
Agora, que estou com um problema sério, a PM não me dá
a reforma justa pela qual tenho direito”, desabafa.
A Junta de Saúde alega que a incapacidade física adquirida
não foi proveniente do serviço que executava.
“Os médicos que acompanharam meu caso não fizeram
parte da Junta, coisa que também não entendo. Fui avaliado
durante 15 minutos por médicos que nunca havia visto”,
lembra.
Por ter uma ficha disciplinar excelente, seu comandante na época
Cel. Lima Castro, se pronunciou em seu favor, solicitando uma nova avaliação,
mas até agora não obteve sucesso pelas vias administrativas,
o que o motivou a entrar com um processo na Justiça, através
da ASSINAP.
Hegnaldo serviu à Polícia Militar durante 21 anos. Hoje
em dia, tem dificuldades para caminhar e precisa tomar analgésicos
e antidepressivos diariamente.
“Entrei na PM em plenas condições de trabalho. Fiz
exames rigorosos para ser aceito e fui aprovado. Nunca exerci atividade
paralela. Em todos esses anos, sempre tive comportamento excepcional,
sem sofrer uma única punição. Mas agora, a instituição
não me dá o que me é de direito. Sinto-me desamparado”,
diz. |