:: JORNAL ASSINAP - JUNHO - JULHO / 07 - PÁG. 05
 
Gastos da PM na mira do Ministério Público
Denúncias feitas pela ASSINAP estão sendo investigadas pelo MP
A compra de capim para cavalos realizada pela PM com dinheiro que seria para o rancho e a festiva viagem de oficiais para o exterior com dinheiro do erário, no ano passado, estão sendo investigadas pelo Ministério Público. Os dois episódios aconteceram na gestão do Comandante Cel PM Hudson Miranda.

Em setembro de 2006, a ASSINAP teve acesso aos dados da DGAL e denunciou uma suspeita compra de capim na qual a PM gastou, R$ 657 mil inicialmente destinados à alimentação de policiais - para compra de capim para cavalos da empresa “A Capineira”.

Também foram gastos R$ 737 mil para aquisição de forragem da “Agroceres”. Tudo para alimentar os 184 cavalos da Polícia Montada, resultando num gasto diário de R$ 20 só com alimentação de cada animal. Já com o rancho dos praças, a PM teve uma despesa diária de R$ 1,72.

O uso de recursos da Caixa de Alimentação dificulta a fiscalização do uso do dinheiro, já que o pagamento não fica registrado no Sistema de Administração Financeiro do Estado (Siafem).

No total, os gastos com capim, forragem e ração somaram R$ 1,3 milhão, valor três vezes maior do que a quantia destinada à aquisição de pólvora, espoletas e projetéis, que foi de R$ 401 mil. O primeiro pedido para munição foi de R$ 79.834, e o segundo de R$ 321.841, comprados da empresa CBC.

O Comandante Geral da Corporação, na época, Cel. Hudson Aguiar Miranda, garantiu que o processo seria investigado pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), mas até agora nada foi explicado por esta corte. O Presidente da Assinap, Miguel Cordeiro, rejeitou a medida por achar que é preciso isenção para investigar a fundo as licitações realizadas ano passado e recorreu ao Ministério Público.

Turismo coletivo a título de viagem de estudo

O outro fato denunciado pela ASSINAP foi a viagem de 65 policiais, entre civis e militares, para o Canadá (Quebéc) e Estados Unidos (Orlando e Nova York), sugando mais de meio milhão de reais do erário público.

A justificativa da viagem foi de estudo para aprimoramento profissional, mas o que se viu foi uma vergonhosa excursão coletiva paga pelo Estado, visto que nada absorvem ou aplicam deste suposto curso na cidade em que trabalham.

A viagem foi um total desperdício, ainda mais considerando a situação da segurança pública no estado do Rio de Janeiro.

O fato deixou indignados até mesmo antigos oficiais da corporação, pois enquanto a maioria não conta com o salário mínimo necessário para viver com dignidade, outros privilegiados viajam às custas do dinheiro público, e ainda foram autorizados a levar parentes.

A ASSINAP requereu toda a contabilidade das viagens, com a fonte pagadora das mesmas, como também para que o Banco Itaú seja oficiado, em sua sede, para que apresente o extrato bancário de cada um dos oficiais que compuseram a delegação.

Cursos gratuitos na Petrobras
Jovens de 11 municípios fluminenses (Niterói, Itaboraí, São Gonçalo, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirin, Magé, Marica, Rio Bonito, Silva Jardim e Tanguá) podem se inscrever até o dia 26 de junho para o processo de seleção de seis qualificações profissionais que irão atuar na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. São 3 mil vagas. Os interessados devem ter a 4ª ou 7ª série de escolaridade mínima - dependendo do curso escolhido - preencher o formulário de inscrição nas agências dos correios ou pela internet e pagar uma taxa de R$ 18,00. As provas acontecem no dia 29 de julho. Os selecionados começam a fazer os cursos gratuitos em setembro.

Cardápio indigesto
Os representantes de associações de policiais saíram frustrados do almoço com o Comandante-geral da PM, Coronel Ubiratan Ângelo. Nada ficou resolvido. Ele não tinha informações sobre percentuais nem datas para o aumento da categoria. Os policiais, que esperam a solução para a crise na segurança pública no estado, tiveram que engolir como sobremesa um encontro que não definiu nenhum item da lista de reivindicações. “O governo vive alardeando que a questão da segurança é prioridade. Que espécie de prioridade é essa?” questionou Miguel Cordeiro, presidente da Assinap.