| Ex-policial foi
absolvido por unanimidade pelo Conselho de Disciplina, mas expulso pelo
Comando
Vítor Marcelo foi Policial Militar de 23/05/1995 até 07/12/2004,
lotado no 4º BPM (São Cristóvão), mas a participação
em uma operação de apoio ao 3º BPM(Meier), em 01/09/2000
, mudou sua vida para sempre. Durante uma troca de tiros com marginais
no interior da favela do Jacarezinho, ele foi atingido por um tiro de
Fuzil na perna direita à altura da coxa, que esfacelou seu fêmur.
O acidente ocorreu por volta das 02:00hs. Após ser alvejado,
ficou caído no chão esperando por socorro por mais de
40 min. A ajuda veio através do então Capitão PM
Malheiros e o Comboio do 3º BPM. Vítor passou por sete cirurgias,
fez dois anos de fisioterapia na PPM de Olaria e por inúmeras
internações para curar uma infecção contraída
no HCPM.
Em 27/08/2002, após todo o tratamento, o Cel PM MED Paulo de
Noronha atestou incapacidade definitiva de Vítor para o serviço
Policial Militar. Mas o pior ainda estava por vir. Em 11/04/2003, ele
foi submetido a um Conselho de Disciplina (CD), onde estava sendo acusado
de extorsão e ameaça, caso que supostamente teria ocorrido
em junho de 2001.
“Essa data é recente ao meu acidente, época que
para me locomover, fazia uso de duas muletas cedidas pela própria
Polícia Militar devido ao meu estado de saúde e praticamente
no início de meu tratamento. Minha vida virou um tormento. Além
de todo desgaste devido ao acidente, que me deixou seqüelas, agora
ainda tinha um processo a responder”, relembra.
Ele foi absolvido pelo CD por unanimidade (4 X 0), com votos a favor
do 1º TEN PM Nascimento RG 43.543, do também 1º TEN
PM Jorge da Silva RG 28.799, do CAP PM Serpa RG 39.607 (Presidente do
CD) e do Comandante e do 4ºBPM.
“No decorrer do processo não era eu o acusado, e isso ficou
claro após o depoimento dos que até então eram
testemunhas de acusação e que viraram de defesa”,
relata.
Após o resultado positivo do CD, só faltava a publicação
com o parecer do Coronel Renato Silva Hottz, Comandante Geral da PMERJ
na época.
Para surpresa do ex-militar, em 07/DEZ/2004, no Bol da PM n.º 086
o Comandante Geral deu seu parecer, optando pela exclusão, ex
ofício a bem da disciplina.
“Foi uma injustiça muito grande, nunca fiz nada de errado.
Em todo o meu tempo na Corporação nunca tive uma punição
sequer, minha ficha disciplinar é negativa, meu conceito é
ótimo e fui um bom policial, porque amava o que fazia. Quanto
à minha reforma, eu não a queria, mas o meu estado de
saúde é que não permitiu que eu continuasse”,
desabafa Vítor.
Governo anterior orientava a não reincluir militares
na Corporação
Arrasado com a exclusão, Vítor entrou
em contato com um assessor do Chefe do Estado Maior, explicando o caso
e levando todos os documentos. Após dez dias, segundo Vítor,
o oficial ligou, informando que se sensibilizava com a situação,
mas nada poderia fazer, pois teria sido impedido pelo escalão
superior, que se negava a trazer PMs de volta.
Vítor entrou em contato com um outro oficial do QG, o qual após
ver o caso e analisar os documentos, se prontificou a ajudar.
“Estou esperando uma posiçao da PM. Minha vida não
está fácil. Meu aluguel está atrasado. Não
tenho para onde ir. Por causa da minha situação, estou
com o nome sujo no SERASA e no SPC. Tenho duas filhas e não estou
tendo nem para o sustento básico delas. Não consigo emprego,
pois ex-PM e com o nome sujo ninguém aceita”, lamenta.
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| Ivani Correia da
Silva e Dilcéa Pereira da Silva têm razões de sobra
para comemorar. Ambas são viúvas de militares e mães
de família que passaram anos recebendo a pensão defasada.
Só após entrar com processo através da ASSINAP,
conseguiram ter seus vencimentos corrigidos.
Depois de tanto tempo lutando sozinha para receber a pensão que
tinha direito, Dilcéa já não acreditava que um
dia isso fosse acontecer. Seu marido era o soldado PM Tancredo Nogueira
dos Santos, morto em combate. Portanto, ela deveria receber pensão
equivalente ao salário de um cabo, o que nem de longe acontecia.
Ela passou anos ganhando apenas 225 reais, mas desde de janeiro de 2007,
ela começou a receber os valores devidos.
“Eu só quero agradecer à ASSINAP por tudo que fizeram
por mim. Fui muitas vezes no DIP e no IPERJ e eles sempre me negavam
qualquer esclarecimento. Aqui na ASSINAP, encontrei quem lutasse por
mim. Estou maravilhada e cheia de alegria”, vibrou.
Ivani também tem história parecida. Mãe de três
filhas, a viúva do soldado PM Nelson José da Silva, também
penou durante 15 anos recebendo uma pensão de menos de 200 reais.
Como a senhora Dilcéa, desde de janeiro passou a receber o valor
integral da pensão, que é dividida entre as filhas.
“Eu tomei conhecimento da ASSINAP através de reportagem
em um jornal. Já estava cansada de lutar sozinha e resolvi procurar
a associação. Foi a melhor coisa que fiz”, disse
Ivani.
“No estado, infelizmente, está cheio de casos comos esses.
Estamos de portas abertas para ajudar as pensionistas”, afirma
Miguel Cordeiro, Presidente da ASSINAP.
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