:: JORNAL ASSINAP - DEZEMBRO / 06 - pág. 05
:: Na ronda

Recrutas sem pão nem água em Itaperuna

Mais uma vez, a ASSINAP alerta para maus tratos sofridos por jovens que passaram no concurso para soldado. Desta vez, as reclamações pesam sobre o Batalhão de Itaperuna, onde os recrutas estão sendo obrigados a ficar expostos ao tempo até às três horas da tarde, sem beber água ou almoçar. Muitos deles já sofreram insolação.
Os recrutas não têm lugar pra dormir e tiveram que comprar com seu próprio dinheiro o uniforme - incluindo shorts, camisas, sapatos e calça comprida.
Um dos recrutas disse que estão sendo tratados como bichos. Certa vez, foram obrigados pelo a se manterem na mesma posição por quase uma hora. Como muitos não conseguiram, tiveram que fazer 50 flexões com o punho cerrado. Alô comando geral, ninguém vai fazer nada ?!

Carteira de inativo

A PM e o Corpo de Bombeiro estão desrespeitando a Lei nº. 4848, sobre as carteiras funcionais de militares inativos. A Lei determina registro na parte da frente da carteira do posto ou graduação imediatamente superior ao que tinha quando estava na ativa. A medida não gera custos aos cofres públicos, pois ao ser reformado o policial já passa a receber soldos uma graduação ou patente acima.
A DIP (Diretoria de Inativos da Policia) alega que está faltando autorização. Autorização de quem? Todos sabem que Lei foi aprovada pela ALERJ e já foi sancionada pela governadora Rosinha Mateus.
A ASSINAP vai entrar na Justiça contra a PMERJ e o Corpo de Bombeiros, para que cumpram o estabelecido por Lei.

Novo GPS não funciona


O tão alardeado novo equipamento de GPS comprado pelo Governo do Estado não funciona, pelo menos nos 12º BPM (Niterói) e no 7º (Alcântara).
Divulgado como o que há de mais moderno em atendimento policial, o aparelho deixa a desejar.
Segundo informação de policiais das unidades, as informações enviadas pelo equipamento demoram quase um dia inteiro para chegar à base, e muitas das vezes, não chegam.
O policial tem que telefonar ou bater um rádio para confirmar se a informação foi recebida, o que aqui pra nós é um tremendo mico.
Este é mais um exemplo do trabalho de inteligência da polícia do Rio.

Praças nos presídios

Um significativo número de policiais foram retirados das ruas para vigiar presídios, por falta de agentes penitenciários. Além de retirar esses homens do policiamento ostensivo, os dirigentes parecem esquecer que praças não são treinados para monitorar presos. Mais uma vez fazem o policial de quebra-galho para suprir as mazelas do Estado. Enquanto não conseguirmos formar pessoas capacitadas para gestão dos presídios, sempre haverá dificuldade para controlar possíveis rebeliões.


Subtenente trabalha como oficial, já o salário...
A PM está utilizando subtenentes para a função de oficial de dia, embora sem receber salário compatível. “Nós ficamos apenas com a responsabilidade, não com as vantagens da função”, diz o policial que preferiu não ser identificado para não sofrer sanções.
Os subtenentes são praças e estão preparados para serviços administrativos, comando de fração de tropa e de PATAMO. Eles não possuem o curso de formação de oficiais - que os habilitariam para a função - mas são punidos por ação e/ou omissão cometidas no exercício deste trabalho.
No entanto, segundo o policial, vários subtenentes já foram aprovados em concursos para o QOA (Quadro de Oficiais Auxiliares) e não foram classificados dentro do número de vagas.
“Se a ilegalidade é cometida por insuficiência de oficiais, então que se promovam os subtenentes que exercem ou exerceram a função de Oficial de Dia, e que já foram aprovados em algum concurso do QOA, acabando com a ilegalidade”, reclama.
Em 2002, um policial - por exercer a função irregularmente -, entrou com processo contra a PM pedindo a promoção pelo exercício da função de oficial de dia na Vara de Fazenda Pública, mas não teve ganho de causa.
Segundo o parecer do MP, só o exercício da função não daria direito à promoção, mas daria direito à remuneração como tal. Então, em 2005, o mesmo entrou com uma ação pedindo o pagamento dos últimos cinco anos que trabalhara irregularmente na função.
A PM desrespeita a Legislação quando escala Subtenentes para exercerem função de Oficial de Dia, impondo responsabilidade administrativa por ação errada no desempenho da função.
Em 1991, já vislumbrando essa ilegalidade, foi público em Boletim da PM nº 69 de 29 de junho de 1991, a determinação aos Comandos de não mais empregarem Subtenentes como Oficiais de Dia, devendo fazê-lo com Oficiais e Aspirantes a Oficiais.
Em Boletim da PM nº 84, de 17 de julho de 1991, foi criado o serviço de Coadjuvante do Oficial de Dia, para ser exercido por Oficiais e/ou Subtenentes. Serviço este também ilegal, pois não é previsto em Legislação própria (RISG).
Em Boletim da PM nº 99 de 07 de agosto de 1991, é publico complementação ao serviço de Coadjuvante ao Oficial de Dia, esclarecendo que o Oficial de Dia deverá ser cumprido pelo Oficial de maior patente ou pelo Oficial mais antigo dentre os escalados.
Atualmente o serviço de Oficial de Dia vem sendo cumprido por Subtenentes PM e o serviço de supervisão de Oficial por Oficial de fato, contrariando publicação em Bol PM.
A ASSINAP convoca subtenentes nesta situação para que possam requerer pagamento pelo exercício da função.