| Polícia
completa e estruturada
Há muito se fala sobre as relações nem
sempre amistosas entre a Polícia Civil e a Polícia Militar.
As duas corporações possuem atribuições
diferentes, que supostamente complementam ou deveria complementar o
trabalho da outra. Uma prende, a outra monta inquéritos; uma
realiza o policiamento ostensivo, a outra investiga. Um modelo de segurança
pública que só existe no Brasil, e que, por experiência
própria já percebemos que está falido.
Fala-se em promover a integração entre as duas polícias,
o que, convenhamos, é coisa quase inviável de acontecer
pacificamente, dado o forte corporativismo presente nas instituições
em questão.
Mas por que não criar uma Polícia Completa? Assim, as
duas corporações teriam o direito de fazer o policiamento,
investigar, prender e levar à presença de quem vai tomar
a decisão judicial. Desta maneira, reduziríamos o ciclo
completo da polícia em três níveis: ocorrência,
prisão e encaminhamento ao juiz.
O atual “modus operandi” da Polícia segue uma linha
que atrapalha a eficiência: O policial militar prende, leva para
a polícia civil que transforma o caso em inquérito. O
inquérito, por sua vez, servirá de instrução
policial para só depois ser encaminhado à Justiça.
Nesse ciclo há uma grande interrupção, pois não
é o policial que prende quem relata o caso ao juiz, mas alguém
que recebeu uma ocorrência.
O ciclo completo da polícia seria uma revolução
na atividade policial no Brasil. Um projeto que irá possibilitar
que as duas polícias realizem tanto o policiamento ostensivo
e preventivo, que hoje é restrito à PM, como também
a investigação, atualmente uma atribuição
da Polícia Civil.
Não vemos razão para que a Polícia Militar - que
tem muito mais efetivo - esteja impedida de realizar o trabalho de investigação.
Como também não vemos empecilho para que a Polícia
Civil utilize seus quadros no policiamento ostensivo e preventivo.
A liberdade para que as duas polícias atuem de forma independente
trará mais agilidade e maior presença de policiais nas
ruas, aumentando a sensação de segurança por parte
da população.
Claro que uma mudança como essa irá requerer uma alteração
de mentalidade tanto por parte dos policiais como da população.
Este novo modelo deve vir alinhado com mudanças estruturais das
duas polícias, de forma que privilégios de uns e exploração
de outros sejam definitivamente eliminados.
Para cortar pela raiz os privilégios, é preciso que só
exista uma porta de entrada para as Polícias Militar e Civil.
Temos que exterminar a entrada especial para os que se candidatam a
oficiais. Todos, sem exceção, deveriam entrar como soldados,
e gradativamente ir subindo de posto. Esta porta diferenciada para oficiais
é uma praga que impede a promoção do policial que
entrou como soldado e que - com o tempo e por mérito - deveria
ter direito a subir de graduação e atingir patentes.
Os concursos para oficiais causam um derrame de dinheiro por parte do
Estado, pois ainda tem que pagar para preparar durante três anos
esses novos oficiais que pularam etapas. Ao mesmo tempo, desestimula
os que entraram como soldado, e que passam a não vislumbrar oportunidade
de crescimento dentro da corporação. Situação
similar acontece na Polícia Civil com os concursos para delegados.
Falar em salários dignos é repetir a reza, pois parece
que só Deus pode um dia fazer com que esses homens sejam honrados
financeiramente pela atividade de alto risco que realizam. Claro que
esses homens têm que receber um salário compatível
e treinamento apropriado, mas há ainda um fato mais sério
totalmente ignorado pelos que regem as corporações. É
urgente melhorar a qualidade de vida do policial. Quem tem o dever de
proteger também deve se sentir protegido. O policial tem que
ter a certeza que sua família está em segurança
e que ele será respeitado dentro do Batalhão.
Mas o que vemos? Policiais e suas famílias vivendo em áreas
de risco, totalmente expostos. Quanto ao tratamento que recebem nos
batalhões, não é incorreto dizer que não
têm direito a nada, pois estão irremediavelmente engessados
pelo maldito Regulamento Disciplinar, que dá poderes ilimitados
aos oficiais superiores. Infelizmente, a Policia Militar é regida
por um regulamento covarde, repleto dos mesmos vícios e injustiças
do período ditatorial brasileiro. Um documento que impede o policial
de obter os direitos básicos de qualquer cidadão comum.
Diante de tantos problemas na organização policial, é
fácil observar que investir em segurança não é
simplesmente gastar rios de dinheiro comprando carros e apetrechos novos,
se a auto-estima do policial está no abaixo da sola de seu coturno.
São necessárias mudanças estruturais profundas.
Obviamente, não são mudanças fáceis, pois
se fossem já teriam sido feitas. Será que os novos mandatários
irão meter a mão nesta cumbuca? Ordenar esta reforma exige
coragem e determinação, pois é certo que os que
têm privilégios não irão ceder.
É necessário adequar à legislação
militar a realidade constitucional democrática vigente, afastando
de vez os resquícios autoritários de um passado recente
e vergonhoso vivido em nosso país.
Vamos manter nossas esperanças, afinal estamos vivos. Vamos apostar
que os novos eleitos darão a partida para estas mudanças
tão urgentes, antes que o mandato - no início sempre com
ânimo e o vigor - esmoreça e caia no comodismo.
Miguel Cordeiro
Presidente da Assinap
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| O2º Sargento
PM Giori agora pode respirar aliviado. O Conselho de Disciplina (CD),
presidido pelo Capitão PM Luciano da Costa, decidiu - dia 28
de novembro pela permanência do policial na ativa.
O departamento jurídico da ASSINAP foi responsável pela
defesa técnica do acusado em todas as etapas do processo.
Giori foi acusado, sem provas, de conduta irregular por ter supostamente
participado de homicídio.
A decisão do CD teve por base - entre outros itens - o exame
pericial da arma, onde não foi constatada confirmação
do uso do armamento em questão, como também o parecer
do Comandante do RPMont, que optou pela permanência do sargento.
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