Eles representam 60% do efetivo. São jovens praças
entre 19 e 35 anos, com uma média de 5 a 6 de experiência
nas corporações. Esse é o perfil dos PMs mortos
nos últimos anos no Rio de Janeiro. O número é
seis vezes maior do que os de outros profissionais do sexo masculino
da mesma faixa etária.
No levantamento "Vitimização policial e segurança
profissional"; coordenado pela pesquisadora da Universidade Federal
Fluminense (UFF) e Consultora da ONG Viva Rio, Haydée Caruso,
um dado chama a atenção. A maioria das mortes acontece
fora do horário de serviço. São acidentes de
trânsito (30%), reação a assaltos (18%) e auto
lesão (4,4%) ferimento com a própria arma. Uma dramática
situação que deixa de ser apenas questão de segurança,
para ganhar ares de problema de saúde pública.
O estudo, encomendado pela própria PM, analisou mortes e acidentes
de policiais entre os anos de 1995 a 2005 e revela uma dura realidade
que as corporações insistem em ignorar. Os baixos soldos,
obrigaram os militares a se submeter a múltipla jornada de
serviço e se transformaram na grande causa das mortes. Em grande
parte, os acidentes que vitimam os soldados e cabos são colisões
com pontos fixos ou atropelamentos, demonstrando que o principal fator
para que eles ocorram é o cansaço. O percentual de praças
mortos durante perseguições é bem mais baixo.
Além disso, a total falta ou o treinamento inadequado também
matam. Quando reagem a assaltos, fora de serviço, os policiais
estão desconsiderando os princípios básicos de
segurança e fazendo exatamente o que pedem para os cidadãos
não fazerem.
Quando a questão passa a ser os equipamentos usados a situação
só piora. Um outro levantamento, coordenado pela pesquisadora
do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade
Cândido Mendes, Jaqueline Muniz, mostra que a troca de armamentos
- como a do revólver pela pistola, por exemplo - não
acontece com o devido treinamento. Já as viaturas são
consideradas pelo estudo como “carros pintados”, pois
não são adaptados para o exercício da profissão.
Uma vez acidentado, a demora no socorro é outro fator de risco.
Vai de 40 minutos a até uma hora e meia.
Os pesquisadores apontam também a defasagem dos manuais de
polícia usados pelas corporações do estado como
fator de risco. São publicações do início
dos anos 80, ou seja, normas com mais de vinte anos. Esse total quadro
de descaso não é recente, pelo menos nos últimos
15 anos a situação só tem piorado. Era de se
prever que alguma providência fosse tomada pelo governo, mas
até hoje os orçamentos da PM não tem rubricas
para saúde e segurança.
O resultado de todos esses desmandos é mais uma triste estatística:
todo ano, cerca de 500 policiais não retornam ao trabalho.
São PMs mortos ou incapacitados para o resto da vida.
“O diagnóstico está pronto, houve o debate com
os policiais e sugestões para mudar o quadro foram apresentadas.
O desafio do Cel. Ubiratan Ângelo é colocar em prática
essas sugestões, diminuíndo o número de profissionais
mortos na corporação”, diz Haydée.