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| :: JORNAL ASSINAP - agosto
/ 07 - pág. 04 & 05 |
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Reposição
das perdas salariais: uma longa negociação
ASSINAP faz uma análise das propostas divulgadas
e se prepara para continuar lutando por reais melhorias para PMs e Bms
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Dia 16 de
agosto. Esse é o novo prazo pedido pelo Secretário de
Planejamento, Sérgio Ruy Barbosa, para apresentar uma proposta
com percentuais e datas para os militares do Estado. Desde o início
do governo, três reuniões já aconteceram. Nesse
período dois pleitos foram divulgados para a categoria. O primeiro
pede a reposição das perdas salariais em 54,38%, ainda
este ano, e foi entregue em fevereiro pelas Associações
ao Governador. O segundo, encampado por alguns Coronéis, sugere
a equiparação com os salários da Polícia
Civil. A tropa, cansada do descaso com quem vem sendo tratada ao longo
dos anos, está mobilizada e ansiosa em obter melhoras de salários
e condições de trabalho. Mas é preciso estar bem
informado e saber os limites legais de uma negociação.
O ASSINAP Notícias preparou uma série de reportagens onde
explica os bastidores dos encontros. Todos nós queremos o melhor,
mas existem detalhes que precisam ser esclarecidos para que os praças,
oficiais e pensionistas não sejam prejudicados nos acordos que
poderão ser fechados. |
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| Entenda a História
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Durante a campanha eleitoral do ano passado, no antigo Clube dos
Oficiais, o então candidato a governador, Sérgio Cabral,
encontrou-se com dirigentes de várias associações
representativas dos PMs e BMs. Na ocasião, como promessa de
campanha, garantiu, se eleito, receber as entidades para discutir
as reivindicações da categoria, inclusive com relação
à defasagem salarial.
Em 1 de fevereiro deste ano, cumprindo sua promessa, o Governador
Sérgio Cabral, recebeu as associações, que convidaram
o Comandante-geral da PM, cel. Ubiratan Ângelo e o Chefe de
Estado Maior, coronel Samuel Dias Dionísio, para participar
do encontro. Os Secretários de Planejamento e Gestão
(Sergio Ruy Barbosa) e de Segurança Pública (José
Mariano Beltrame), também participaram da reunião no
Palácio Guanabara. As entidades representativas apresentaram
um documento com 10 pontos, entre eles o que estabelecia o percentual
de 54,38% para repor perdas salariais.
O Governador pediu, imediatamente, para o Secretário de Planejamento
verificar o impacto na folha de pagamento e dar outras providências
técnicas para o encaminhamento da proposta.
Uma semana depois, o Chefe do Estado Maior, fez uma nova reunião
no QG. Segundo o Coronel Dionísio, a receptividade do Governador
abria precedente para novas reivindicações, inclusive,
o pedido de equiparação salarial entre Polícia
Militar e Polícia Civil. O Presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro,
discordou de tal atitude, salientando que os pleitos da categoria
já estavam sendo estudados pelo Governo.
“Agora, vemos grupos de oficiais e praças participando
de atos públicos - como o que aconteceu em Copacabana - divulgando
documentos e pressionando o Governador. Eles são incentivados
por 9 coronéis que não aparecem. Será que esses
oficiais tiveram alguma promessa de promoção, conseguindo
ou não a equiparação?” pergunta Miguel.
Para o Presidente da ASSINAP, os superiores estão induzindo
os praças a um procedimento errôneo, que pode acabar
derrubando as duas propostas. Além disso, ele tem receio de
que, depois da confusão de pleitos, os coronéis acabem
conseguindo uma robusta gratificação só para
eles como aconteceu no governo Moreira Franco.
Na época, só coronéis da ativa, que comandavam,
receberam a chamada Gratificação de Encargos Especiais
(GEE), que ficou conhecida com 155%..Todos os demais, oficiais e praças,
não receberam. Além disso, para os praças ainda
sobraram punições.
“Já vimos esse filme várias vezes e não
queremos reprise. A ASSINAP não está aqui para colocar
azeitona na empada de alguns coronéis”, afirma Miguel.
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| Coronéis estão traindo
seu patrão |
A atitude do grupo de coronéis que querem aumento salarial
é vexatória e causou estranheza à diretoria da
ASSINAP. Para a associação os Coronéis, com sua
proposta, causarão distorções no escalonamento
vertical. Além disso, estão traindo o Governo, o mesmo
que lhes dá cargos de confiança com comissões
e regalias.
O que mais chama a atenção é o posicionamento
do Corregedor-geral da PM, Paulo Ricardo Paul. Ele, que tem função
de aplicação de punições na corporação,
agora se coloca em posição de defensor da categoria.
Ao chamar advogados, dentro do QG, para acionar o próprio
Estado que representa, os coronéis infligem a lei em vários
momentos, configurando aí, em tese, abuso de confiança
e prevaricação e talvez até, improbidade administrativa.
Por outro lado, quando dão publicidade ao fato, através
da imprensa - como divulgou a coluna “24 Horas”, do JB,
em 12/07/07 -atingem também, em tese, o Código Penal
Militar.
Mas o Corregedor-geral não está sozinho. Tem o apoio
dos principais coronéis da Polícia Militar do Estado
do Rio de Janeiro.
O Presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro deixa claro que a luta da
Associação “é por melhorias reais para
toda a categoria, mas dentro de parâmetros possíveis,
conciliando o orçamento do Estado e as necessidades da tropa.
Jamais lutaremos por uma minoria que se habituou aos privilégios”,
conclui.
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| ASSINAP - aposta na democracia
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| O Presidente da ASSINAP,
Miguel Cordeiro, garantiu que a associação vai continuar
divulgando, através de seu site, todas as reivindicações
da categoria, de qualquer grupo, independente de apoiar ou discordar,
pois é uma entidade que tem no seu histórico, a luta pela
democracia. “A livre manifestação é um direito
de todos os grupos. Mesmo que alguns pleitos sejam utópicos,
até por que acreditamos que a utopia do passado é a realidade
do presente”, afirmou. |
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| Por quê 54,38% |
A ASSINAP, através do seu Presidente, Miguel Cordeiro, defende
o percentual de 54,38% para repor as perdas salariais ainda este ano,
mesmo sabendo da dificuldade do atual governo. O orçamento
de 2007 foi elaborado pela ex-governadora Rosinha Garotinho, e aprovado
pela Alerj, no ano passado. “É difícil, mas não
é impossível, desde que não fira o limite de
60% da Lei de Responsabilidade Fiscal”, pondera Miguel.
A proposta defendida pelo Comandante-geral da PM, Ubiratan Ângelo
de aumento salarial, na última reunião com o Secretário
de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, no dia
20 de julho, é técnica e juridicamente questionável,
podendo ser derrubado nos tribunais.
“Qualquer técnico financeiro ou advogado constitucionalista
e administrativista, sabe que quando uma categoria obtém aumento
salarial, juridicamente, as outras também têm direito.
A extensão terá que ser concedida sob pena de inconstitucionalidade,
por desigualdade de tratamento, desrespeito a isonomia e a revisão
anual de vencimentos” explica o Pres. da ASSINAP.
Miguel Cordeiro lembra ainda que dentre as 10 reivindicações
entregues ao Governador em fevereiro, está a proposta de revisão
salarial. Segundo ele, entidades representativas vão dar tempo
para que Sérgio Cabral vote e aprove seu orçamento,
que terá que comportar o aumento salarial para a categoria,
conforme determina a Constituição Federal.
“Podemos estudar a proposta do Comandante-geral , onde os coronéis
têm equiparação com os delegados, mas sempre obedecendo
o escalonamento. De qualquer forma achamos impossível de ser
aplicada na prática. Os delegados já não pertencem
ao escalonamento da Polícia Civil e não existe co-relação
entre os cargos das instituições: Polícia Militar,
Bombeiros Militares e Polícia Civil”, sentencia Miguel.
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| Mais uma vitória na questão
dos 155% |
Foram quatro anos e várias batalhas. O Estado recorreu em
todas as instâncias possíveis, mas o Supremo Tribunal
Federal determinou a implantação da Gratificação
de Encargos Especiais (155%) para o 2º SJT Antonio José
Arioza, do Grupamento Aéreo Marítimo.
O valor começou a ser pago no contracheque. Durante o tempo
em que o processo tramitava, Antonio acompanhava tudo através
da internet e em contatos com o corpo jurídico da ASSINAP.
“Só precisei vir a associação algumas
vezes. Finalmente a justiça foi feita. Agradeço a ASSINAP
pelo empenho. Todos estão de parabéns, desde o Presidente
até o mais simples funcionário. Sempre foi muito bem
atendido” conta o 2º SGT, enquanto comemora a vitória.
O departamento jurídico da ASSINAP entrou com mais de 1000
ações individuais de PMs e BMs, que procuraram a associação,
contra o Estado, só nesta questão. Oitocentos processos
ainda estão tramitando. Além disso, a Associação
entrou com uma ação coletiva para todos os seus associados:
ativos, inativos e pensionistas.
Em 2005, um grupo de oficiais do QG, que não queriam se associar
a ASSINAP, constituiu advogados particulares. Sem conhecer a matéria,
esses doutores, criaram jurisprudência negativa: a chamada Súmula
78. Nela, o Tribunal de Justiça decidiu que nem os coronéis
PMs e BMs têm direito ao GEE.
A ASSINAP, que foi pioneira neste tipo de ação, continua
entrando com todos os recursos legais possíveis para garantir
os 155% a todos.
“A batalha jurídica demora, mas estamos conseguindo
muitas vitórias e continuaremos contestando a decisão
da Súmula 78”, assegura o Presidente da ASSINAP, Miguel
Cordeiro.
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