| ASSINAP participa da
CPI instituída pelos deputados, como também questiona
a Comissão de Direitos Humanos sobre a situação
dos policiais do MOVE
Os sucessivos ataques a policiais motivaram a instauração
de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Alerj
para apurar as causas da morte de PMs e a situação em
que ficaram suas famílias. A ASSINAP está participando
das reuniões levando informações sobre as condições
de trabalho dos policiais militares, e tornando públicas as reivindicações
da categoria.
A Comissão, que é presidida pelo deputado Coronel Jairo
e tem o deputado e major reformado Paulo Ramos como relator - também
pretende levantar formas de melhorar a sensação de segurança
da sociedade.
“Existem muitos 'policiólogos' e arautos em segurança
pública para dar pitacos e fazer críticas, mas até
agora estamos na mesma, com uma PM com baixos salários e mal
estruturada. O objetivo desta CPI é buscar soluções
com quem entende do assunto”, declarou Cel Jairo, presidente da
Comissão.
A reunião, aberta ao público, aconteceu no dia 4 de abril,
na Alerj, com a presença dos deputados Paulo Ramos, Cel Jairo,
Wagner Montes, Natalino, José Maia e Alessandro Molon, além
das associações de policiais militares e civis. Diante
desta platéia, o presidente da ASSINAP, Miguel Cordeiro relatou
casos de maus-tratos que vários policiais vêm sofrendo.
Segundo Cordeiro, os policiais não recebem apoio quando precisam
da instituição para se proteger.
“Todos sabem que a maioria dos policiais vive em área de
risco, mas nada fazem para tirá-los de lá; todos sabem
que estes mesmo policiais são explorados por seus comandantes,
que determinam uma escala de trabalho desumana para os que não
são seus protegidos; todos também sabem que já
existem mais de cinco mil policiais cedidos para outras atividades,
e nada é feito para que estes homens exerçam atividade-fim,
que é o policiamento preventivo e ostensivo”, afirmou Cordeiro.
A falta de integração entre as polícias, o excesso
de poder dado a oficiais e a desvalorização constante
da atividade policial pela sociedade também foram alvo de comentários.
“A maioria dos comandantes da PM parou no tempo. Muitos apenas
exercem seu poder, só que de forma nociva para com a corporação,
pois não sabem comandar, não tem visão estratégica,
mas sabem punir como ninguém aqueles que estão abaixo
de sua patente. É preciso uma mudança de mentalidade na
PM. Ninguém agüenta mais este tipo de tratamento”,
disse Cordeiro.
O Sindicato de Delegados da Policia Civil (Sindipol) concordou que a
melhoria das polícias passa pela valorização do
homem, mas também argumentam que é essencial que exista
uma ação planejada. Segundo Jéssica Almeida, do
Sindipol, “as ações da polícia são
muitas vezes improvisadas e inopinadas, com estratégias pífias”.
Para Jéssica, as polícias vêm se confundindo na
prática e usurpando a área da outra.
Cordeiro cobra ação da ALERJ sobre
policiais do MOVE
Cordeiro exemplificou casos de maus-tratos com os policiais
do MOVE (Módulo Operacional das Vias Especiais). Estes policiais
são obrigados a ficar 12 horas ininterruptas em vias de grande
fluxo de veículos, apenas realizando Operação Presença.
Além de ficarem extremamente expostos, eles não contam
com estrutura de banheiro nem cobertura apropriada para protegê-los
das altas temperaturas ou da chuva.
A ASSINAP enviou no mês de março um relatório sobre
a situação destes PMs para a Comissão de Direitos
Humanos da Alerj e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas não
havia recebido nenhuma informação sobre o andamento. Aproveitando
a ocasião, Cordeiro inquiriu os deputados presentes sobre o envio
da documentação.
“Acho muito importante a criação desta comissão
para investigar a morte de policiais. Espero que daqui saiam idéias
que possamos colocar em prática, se não, este encontro
terá pouco valor. Em relação ainda ao tema, gostaria
de saber também o que foi feito em relação ao relatório
que enviamos sobre policiais do MOVE comissão de Direitos Humanos
desta casa e que até agora não tivemos resposta sobre
os possíveis desdobramentos”, ressaltou Cordeiro.
O deputado Alessandro Molon, presidente da Comissão de Defesa
dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, estava presente na audiência.
Ele disse que conversou no dia 2 de abril, com o comandante da PM, coronel
Ubiratan Ângelo, sobre a denúncia encaminhada pela ASSINAP
de que os policiais que patrulham as vias expressas do Rio de Janeiro
ficam 12 horas em pé, com um intervalo de apenas uma hora para
refeição, não podendo se ausentar do posto nem
mesmo para ir ao banheiro. Molon sugeriu que o estado instale banheiros
químicos nos pontos de policiamento e o coronel ficou de estudar
a idéia.
“Sugeri ao comandante Ubiratan que fosse estudada a possibilidade
de se colocar banheiros químicos para atender as necessidades
dos policiais em serviço. Entendo que é função
da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania garantir
condições de trabalho dignas para os policiais, zelando
por seus direitos”, disse Molon.
Leia relatório enviado a OAB e Alerj pela ASSINAP no site:
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